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Convocação Queens of Poker

Iniciando nosso terceiro ano de existência, tentamos ao máximo buscar oportunidades para nossas participantes. Para isso, não só contamos, mas precisamos da participação de vocês.

Observem que o Queens of Poker não tem fins lucrativos, eu  e a Mercedes Henriques não temos nenhum tipo de remuneração, premiação, patrocínio pessoal, presentes/brindes/buyns ou afins. Fazemos por amor e por crer que juntas somos mais fortes, que devemos ter nosso espaço, opinar e nos ajudar mutuamente.

Não somos profissionais, somos jogadoras amadoras que investem tempo e dinheiro nesse projeto. Por isso pedimos que nos prestigiem, mostrem a nossa força, tragam mais meninas.

Você que já possui representatividade/notoriedade (independente do sexo), fale de nós, ajude-nos! A contribuição não é restrita a dinheiro. Todos podem colaborar com posts (nosso site é um canal e espaço de todos), coachings, contribuição com livros para sorteios/promoções, enfim, iniciativas que visam crescimento/aprimoramento das mulheres no poker.

Mandem seus resultados para que possamos compartilhar e que inspiram a todas nós.

Só assim, resultado de um esforço conjunto, esse projeto terá longevidade e alcançará novos patrocinadores, conseqüentemente, mais oportunidades para todas.

Nosso muitíssimo obrigado a todas as meninas e parceiros que nos apóiam e ajudam na divulgação desse projeto que tanto batalhamos para manter e crescer.

Beijos Queens, jogadoras guerreiras de todo o Brasil!

Mercedes e Lizia
Mercedes Henriques e Lizia Trevisan, fundadoras do Queens of Poker
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Para gringo ver.

Sobre o episódio da “batida” policial numa casa de poker, na tarde de quarta-feira, 18/03/2015 em São Paulo, motivada pela denúncia de turistas estrangeiros que supostamente teriam perdido muito dinheiro no clube.

Não é proibido cash, não é proibido poker. O fato é que não há legislação, o que resta é a interpretação dos juízes.

Independentemente da posição de qualquer pessoa, se é contra ou a favor do poker, como cidadã e contribuinte me sinto uma palhaça quando vejo uma notícia dessa. Trinta viaturas, quarenta homens, muito sensacionalismo de uma mídia que tem como objetivo secundário informar, mais parece uma pseudo celebridade baixando o nível para obter mais exposição.

E nós jogadores de poker e não jogadores, pagando por isso. Enquanto isso meu marido foi assaltado, meu filho, meu sócio. Alguém foi preso?! Não. Mas dois ônibus foram necessários para transporte dos cem jogadores que foram levados para a delegacia enquanto a sociedade sofre com a violência galopante.

A questão aqui deixou de ser poker. Se querem fazer algo contra ou a favor do poker, que se faça no âmbito da lei.

As autoridades podem e devem atuar, o fato é que um circo foi montado, só que neste espetáculo nós somos os palhaços.

Literalmente: Para gringo ver.

Lízia Trevisan

Os tipos de jogadores que as mulheres encontram nas mesas.

É sabido que há diversas nomenclaturas para classificar os jogadores de poker no que tange ao estilo de jogo.

Mas a que proponho aqui é para ilustrar o comportamento dos homens quando há mulheres nas mesas. Algumas meninas podem sentir-se intimidadas em participar de eventos live justamente pelo número reduzido de mulheres. Quero tentar transmitir um pouco da minha experiência.

O pró: serve também para os regulares. Esses pintam um alvo na tua testa no quesito roubo de blinds. Temos a fama de “ultra tight”, então prepare-se para muita ação, principalmente quando estiver no BB. A ideia é que não enfrentarão muita resistência aumentando pré flop, somente quando a oponente estiver no topo do range. Se perceber que um malandro está fazendo isso, 3bet na cachola dele, use da imagem de mulher. Comigo já não dá certo faz tempo, acho que tenho cara de mentirosa ou dou muito tell – o que seria bom se viesse valor para mim com mais frequência do que o Cometa Halley.

O pavão: são uns fOfOs. Sempre gentis e educados, puxam conversa e tendem a não se envolver em mãos contigo. O fato de serem atenciosos não quer dizer que estão te cantando; alguns homens são por natureza “pavão”, sentem necessidade de se sobressair sobre os demais “machos”, exibindo-se para as mulheres afim de monopolizar a sua atenção. Como eles querem mantê-la na mesa, cuidado redobrado quando estiverem disputando uma mão. Se estão envolvidos, tem caroço nesse angu! Há uma variação desse tipo que tenta fazer charminho ao mesmo tempo em que arma AQUELA trap.

O flopeiro: com esses tu pode tiltar. Pagam os teus aumentos na maldade com quaisquer duas cartas, geralmente baixas, para te quebrar. Com a imagem “ultra tight” da mulher o plano é acertar um board baixo, que não conecte com o range da agressora. Mesmo se não acertarem, acreditam que podem puxar o pote blefando. Já ouvi falinha como “vejamos se eu consigo quebrar o teu par”. Pior é que conseguiu, call com J2s, flush runner runner. Eu tinha QQ. Maldita memória de elefante!

O tiozão: não se engane, não tem idade. São indiferentes a nós. Muito limp/call, de AA a 54. É um tipo de flopeiro, só que passivo pré flop. Quando betam ou donk betam, pode crer que acertaram. Cuidado quando tomarem 3bet. Perdi um pote grande com AQo por causa de kicker (o indivíduo limpou AK). Todo castigo para quem “limpa” AK é pouco, mas não foi dessa vez…

O Neanderthal: ao contrário do que afirma a comunidade científica, eles não estão extintos, creia. É uma espécie que acredita que o último lugar do mundo em que uma mulher deve estar é numa mesa de poker. São grosseiros, mal educados e podem chegar a ser desrespeitosos. Infelizmente, já tive algumas experiências. Ouvi coisas como “gosto de jogar contra quem sabe, não com quem só enfeita a mesa”. O fato é que para eles é inaceitável perder para uma mulher. Eu acredito que a melhor resposta seja na mesa, jogando e tirando as fichas da criatura. Mas se as indiretas virarem diretas e ultrapassararem o teu limite de tolerável, peça para que o dealer chame o floor/diretor de torneio e explique a situação. O poker é antes de tudo um evento social, deve ser divertido e prazeroso. Não é justo que tirem isso de você ou de qualquer jogador. A boa notícia é que são burros e farão de tudo para te tirar da mesa, uma ótima oportunidade para fazer fichas. Aconselho que apostem por valor contra esses oponentes porque, minha amiga, eles vão te pagar, ahhhh vão!

O Marido: para os casais, parceiros no poker, ocasionalmente cairão na mesma mesa. Aqui és tu quem manda. Pensa nisso como uma extensão da tua casa. Se ele for do tipo rebelde, nada que uma noite no sofá não resolva. “Meu marido. Meu amor. Encare isso como licença poética”. =*

O restante: quer suas fichas, como os anteriores.

O live para mim é diversão, meu momento de descontração depois de uma semana de trabalho, de rever os amigos, de dar e levar bads e rir em ambas as situações.

Convenhamos, a variância no live é absurda e fazer volume é difícil. Então, divirta-se!

Lízia Trevisan

O saldo da WSOP 2014

 

Chega ao fim (ou quase) a WSOP 2014. Como espectadora pude perceber a invasão de brasileiros na Sin City, o que é muito bacana pois nos dá uma ideia da proporção que o Poker está tomando no Brasil. Porém há dois fatos, ou melhor, personalidades que se destacaram: Daniel Colman e Bruno Politano, o Foster.

Daniel Colman protagonizou uma polêmica no Big One for One Drop, evento com buy-in de um milhão de dólares, após vencer Daniel Negreanu no HU e sagrar-se campeão. Sua recusa em dar entrevistas somada a declaração justificando a mesma (que pode ser conferida neste link, matéria do Pokerdoc), foram mais emblemáticas que sua vitória.

Fato que me levou à uma reflexão, pois sou uma apaixonada pelo Poker. Isso nunca me impediu de ter uma visão crítica, tampouco de tomar atitudes afim de ao menos tentar contribuir para uma mudança positiva no que acredito ser necessário. Que o Poker é um universo ainda majoritariamente masculino, é sabido. Falando muito honestamente, me incomoda a pouca representatividade feminina e passei a questionar sobre os motivos para tal. Tentar buscar respostas se mostrou mais que improdutivo, assim nasceu o Queens of Poker. Ele ainda é um “bebê”, criado há poucos meses, mas tive gratas surpresas quanto ao Grupo: pessoas que acreditaram no nosso projeto e a união das gurias, sempre super receptivas para conosco e principalmente, torcendo umas pelas outras. Isso muito me comove, se tratando de uma atividade individual e altamente competitiva.

O Grupo demanda trabalho e tempo, que é muito restrito para mim, além dos parcos recursos que disponho. Sempre tive em mente a inserção e crescimento das mulheres no Poker, com o cuidado de não virarmos uma “distribuidora de brindes”. Queríamos algo que agregasse e criasse oportunidades. Com isso em mente, batemos de “porta em porta”, onde encontramos o “sim”, o “não” e as vezes nem a resposta. É bem triste esta última, pois tentamos fazer algo diferente, visando o crescimento do esporte em um público mais que promissor. Uma resposta é mais que gentileza, é consideração, humildade e respeito.

Sou muito grata a minha amiga Mercedes Henriques que mais que contribui, sem ela este não seria possível, ao Betmotion, nas pessoas do Leonardo Baptista e Fabrício Murakami que acreditam em nosso projeto e o tornaram possível. Khatlen Guse e Marco Naccarato são dois presentes que o Poker me trouxe, obrigada amigos! Tio Max, agradeço pelo espaço que nos cedeu e por proporcionar a mim, uma jogadora amadora, disputar eventos que minha bankroll não permite. A vocês amigos e parceiros do Poker que nos ajudam na divulgação do Queens of Poker, muito obrigada.

Dito isto, gostaria muito que Daniel Colman tomasse uma atitude afim de mudar o que acredita estar errado no Poker. Se eu posso fazer algo, ele com mais recursos e sob todos os holofotes do Poker, pode fazer muito mais. Acredito que atitudes falam mais que palavras e não gostaria que uma discussão tão pertinente quanto a levantada por ele findasse com uma imagem, a imagem de um homem sobre uma montanha de dinheiro com a mensagem “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”.

Deixando o “lado sombrio”, Bruno Foster: que belo presente nos deu. Empunhando nossa bandeira com orgulho de ser brasileiro, dividindo conosco esta grande conquista, o primeiro brasileiro na FT do Main Event da WSOP. Deste show de poker e patriotismo, obrigada! Obrigada principalmente por mostrar o “lado bom” do Poker.

Lízia Trevisan

Twitter @liziatrevisan

Egopoker

Não é difícil associar a egolatria e a mitologia ao poker. A lenda mais famosa sobre o ego é o mito de Narciso, que se apaixonou pela própria imagem e morreu por isso. Narciso não simboliza apenas a vaidade, mas também a insensibilidade. A própria raiz das palavras Narciso, narcisismo e narcótico é derivada da palavra grega narke, que significa entorpecido. É como estar alheio a realidade, preso unicamente ao que você representa, à sua imagem, a idolatrar si mesmo sem perceber o mundo à sua volta.

É dessa forma que Narciso morre, após ser induzido pela deusa Nêmesis a permanecer a beira de um lago contemplando a própria imagem. Narciso foi derrotado por si mesmo.

Na psicologia, o ego é umas das partes da estrutura da mente que reúne nosso senso de identidade, realidade e personalidade, ou seja, é nossa ligação com o mundo exterior, é a via de sentido que relaciona nossa presença ao ambiente. Sob o viés psicológico, o ego em si não representa uma ameaça, mas algo que vai construir a confiança.

Já no senso comum, quando tratamos do ego, estamos falando de vaidade, da vontade de provar ser melhor que os adversários a qualquer custo. Talvez, sob esse aspecto, o ego é aquele que justifica as jogadas mais estranhas, aquelas onde fichas são armas de uma batalha vencida, onde a lógica passou longe, seja numa mesa entre amigos, seja na final da WSOP. Por ele, entramos em combates desnecessários, blefamos potes sem motivo, tentando reafirmar coragem, uma coragem impensada e impulsiva que nos tira do próprio centro, por nada. A tentativa boba de parecer mais durão, afirmar a masculinidade, um jeito irracional de demonstrar superioridade, nem que seja na força, na porrada. A velha história do torcedor que vai ao estádio assistir ao seu time preferido enquanto enche de sopapos o torcedor rival faz sentido, é a válvula de escape de egos inflamados por um orgulho irracional, em busca de violência gratuita.

Violência esta, repudiada pelas mulheres, que procuram diversas coisas nos jogos, mas dificilmente esse tipo de afirmação. Talvez a presença delas no poker possa ser uma saída para tal necessidade de afirmação, e embora mulheres sejam conhecidas por serem muito competitivas entre si, ao menos não carregam essa indesejável qualidade, mas isso já é outro assunto.

Para qualquer jogador, ego é bom quando se torna autoconfiança, do contrário, quando vira arrogância e alimenta a vaidade, traz mais resultados desfavoráveis do que benefícios. O notável é que no poker essa vaidade é fatal. A cada oponente subestimado, a cada momento que você julga o adversário e o coloca numa condição inferior à sua, você não está atento o suficiente para o mundo ao seu redor, seus alertas ficam desligados, você considera os outros previsíveis e consequentemente a chance de ser surpreendido aumenta, afinal, na outra ponta há um cara pensante, que está louco para pegar as suas fichas.

Se o peixe morre pela boca, o jogador só perde pra si quando perde para sua vaidade, quando fica mais atento ao próprio reflexo em vez de olhar a sua volta.

imagem: Shutterstock

Por uma perspectiva feminina no poker

Em junho do ano passado eu estava em Las Vegas, durante a WSOP, e aproveitava o intervalo de torneios noturnos da cidade pra me enfiar nas mesas de cash $1/$2 do Bally’s, algo que fiz repetidas vezes nesse cassino que nos hospedou. Em todas as noites que estive lá apanhando do baralho, notei dois jogadores regulares que faziam sessões longas e sempre saiam com dinheiro no bolso. Eram duas mulheres, uma mais jovem, sempre acompanhada pelo seu pai, também jogador, e outra, de origem oriental, mas provavelmente norte-americana.

Por três vezes presenciei a jogadora oriental como pivô de situações desconfortáveis e seguidas de bate-boca. Numa dessas, um senhor de estilo cowboy não poupou xingamentos depois de perder mais um pote pra ela. A falta de respeito foi logo coagida pelo floorman, mas mesmo assim ela continuava ouvindo insultos do “cavalheiro” a cada órbita. Pouco antes, ela tinha ganhado uma mão num spot confuso por conta de alguém ter mostrado as cartas antes do tempo, o que gerou os primeiros comentários negativos do cowboy, sempre atrelados ao fato da jogadora ser mulher.

Este é um exemplo do que ainda acontece, é incomum, é um extremo, mas serve para demonstrar um aspecto anterior, que é o estereótipo de que a mulher é sempre desatenta, não utiliza a lógica tanto quanto os homens, joga de forma emocional, joga na intuição. Uma mulher é café com leite, ou joga menos que você até o momento em que puxa um pote seu, e aí, quando isso acontece, a conclusão é que ela deve ter feito uma jogada errada e injustificável, ou em último caso, deu sorte. Este é parte do montante de características que refletem a ideia pronta do que é ser uma mulher nas mesas, mesmo sabendo que essas características estão presentes em ambos os gêneros. E assim, evidentemente, a repetição desse discurso o torna parte da verdade, senão toda ela.

O que incomoda é perceber que há uma inversão na forma como se coloca a questão, onde o fato de ser mulher pressupõe o estado das coisas. O poker é uma atividade de maioria masculina, onde o discurso dominante se apóia na técnica. Se um homem comete um erro por jogar de forma emocional, ou se ele perde o controle, isso se apresenta como uma falha, algo para ser corrigido. Porém no mesmo caso, se for uma mulher a cometer o erro, a diferenciação é automática, como se a capacidade feminina em lidar com aquilo fosse reduzida.

Esse é o erro de compreensão proveniente de um sexismo velado e presente no mundo do poker. Na medida em que se categoriza a mulher negativamente como um jogador diferente, os problemas delas também parecem ser diferentes, e seus erros identificáveis como típicos das mulheres. Ninguém identifica e destaca uma boa jogada feminina, apenas uma boa jogada, por outro lado, erros femininos são destacados como típicos.

Desta forma, o problema não está no fato dessas características estarem presentes e notáveis nas mulheres, o problema é que tomar isso como algo natural retira a possibilidade de discussão desses temas, afinal é algo considerado “normal”, não passível de questionamento.

Por isso é cada vez mais importante num jogo em expansão como o poker, que as mulheres se manifestem e gerem representatividade. Se a falta de mulheres é observada nas mesas, sua falta opinando sobre o mundo do poker também é notada. Felizmente temos iniciativas como o Barbarella Poker e a coluna Mulheres no Feltro da Khatlen Guse, o blog da Camila Kons no MaisEV, o PokerGirls, e o recém lançado Queens of Poker, um espaço dedicado às mulheres e fruto do entusiasmo de Mercedes Henriques, Jessica Camargo e de Lizia Trevisan, que inclusive foi entrevistada pela Khatlen em sua coluna no site da CardPlayer (clique aqui para ver).

Mais do que a presença feminina nestes espaços, é fundamental que a visão delas sobre o jogo também esteja na mídia, pois se existe a diferença de gênero, é ela que ajuda a ampliar nosso entendimento de como o jogo se dá. Esta representatividade pode ser um elemento forte na compreensão da participação feminina no poker, pois elas ainda precisam lidar com a intimidação dos adversários nas mesas (refiro-me ao seu formato simbólico, que é elemento de estudo sociológico), e são subestimadas e alvo de preconceitos, como a Lizia apontou no artigo Poker, mulher e preconceito. Outra frase impactante é a de Vanessa Selbst, reconhecida jogadora norte-americana que afirmou que no mundo do poker nunca sofreu preconceito por ser gay, mas sim por ser mulher, confira aqui.

Do mesmo modo, jogadoras com mais experiência usam os estereótipos a seu favor, e lidam com esses obstáculos de forma peculiar, como se pode notar nesse texto da Carol Ventura para o PokerGirls. Contudo jogadoras que alcançam grandes premiações em torneios ainda precisam afirmar o óbvio, que podem jogar em pé de igualdade com os homens, tema explorado na entrevista que a jogadora Milena Magrini deu para o PokerDoc.

Você pode até falar que a quantidade de boas jogadoras é pequena se comparada com o mesmo montante masculino, ou até se basear em amostragem para concluir que na média as garotas precisam melhorar, mas isso não muda a perspectiva dessa questão, pois essa verificação está ligada diretamente à mesma inversão citada acima, onde as características tidas como negativas para o jogo precedem e bloqueiam qualquer novo entendimento. É como se utilizar de uma estatística para validar um argumento pré-estabelecido.

A massificação do poker ainda não passa pelas mulheres, elas são exceção. No site oficial da WSOP, os buy-ins feitos por mulheres na edição 2013 chegaram a pequena fatia de 5,1%, e no Brasil esse número é ainda menor, o Ladies Event da 1.a etapa do BSOP teve apenas 39 entradas, e a participação feminina no main event é muito pequena, na ordem de menos de 4% segundo o site PokerDoc, na própria entrevista da mesa-finalista Milena Magrini.

Ainda assim, há um novo contingente de boas jogadoras, que a exemplo de nomes como Alê Braga e Larissa Metran, se destacam, pois além do talento, têm oportunidade de trocar impressões e aprendizados com outros jogadores, seja porque estudam mais o poker, fazem cursos, estão mais inseridas na comunidade ou por conta de seus laços pessoais como namorados, maridos e amigos. Elas penetraram neste ambiente e conseguem se desenvolver sem que seja necessário antes disso ser classificada como mulher. No momento em que jogadores e jogadoras são tratados em pé de igualdade, a diferenciação perde seu sentido.

O poker como esporte está em face de uma grande oportunidade, pois em sua essência tem um caráter agregador e plural, pois não faz distinção, e por isso é convidativo. Nesse sentido, os torneios exclusivos para mulheres, os sites e os blogs escritos por elas não parecem ser o outro lado da moeda do sexismo, mas buscam ser um convite para que elas ingressem no poker.

Ainda há poucas garotas no pano, e se for preciso existir uma resposta para isso, a investigação tem que começar necessariamente por elas, e não vir de estatísticas e preconceitos. Talvez a maioria das mulheres simplesmente não goste, ou não considere o poker como uma atividade que as agrada. Se há poucas mulheres, talvez seja porque a mecânica do jogo não desperte o mesmo tipo de fascínio e sentido que têm para os homens, ou não carregue em si o tipo de ação que elas procuram.

Se o poker necessita atrair mais praticantes, o que é assunto para outro artigo, o caminho está na forma com a qual ele atende as necessidades e os questionamentos dos jogadores, sendo mulheres ou não.

 

Fotos: Shutterstock e arquivo pessoal (Lizia Trevisan). Fontes citadas: WSOP, Queens of Poker, Metro, PokerGirls, Barbarella Poker, MaisEV, Pokerdoc e CardPlayer Brasil

Master Minds – A viagem!

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A segunda semana de fevereiro começou como todas as demais, muito trabalho, pouco tempo e muito vontade.

Mal sabia o trabalho e consequente tempo que este projeto demandaria, o que me afastou do estudo e jogo de Poker neste período. Lado ruim: ficar sem jogar. Lado bom: te afastar por um tempo do game te permite analisar melhor teu jogo, tua agenda e organização, aonde tu está e aonde quer chegar. Além é claro, de que o retorno a prática do esporte tem um gosto doce, uma vontade imensa de jogar e ser o último player a levantar da mesa, muito foco e concentração.

Estava a cerca de um mês importunando meu esposo perguntando diariamente “E aí, vamos ao Master Minds?”, sem uma resposta e com uma infecção de garganta que o acometeu na segunda-feira o prognóstico não era bom.

Mas no meio da semana a Mercedes, amiga e parceira no projeto, contatou o Igor Federal, personalidade que dispensa apresentações. Ele, pessoa muito solícita e educada, topou conversar conosco. A desculpa que me faltava.

Como foi tudo muito às vésperas, não conseguimos acompanhar desde o primeiro dia, sexta feira. Colocamos o pé na estrada, de Curitiba para São Paulo na manhã de sábado. Chegamos mais tarde do que planejado, viagem inteira com chuva, às três da tarde. Lamentavelmente, perdi a palestra do Akkari, justamente sobre mulheres no Poker.

A Jessica levou uma baita bad. Mesmo morando a duas horas do evento, chegou depois de mim. Carro quebrado no meio do caminho. =( Meu primeiro encontro “live” com ela foi breve, mas me despedi com a certeza de que encontrei a pessoa certa para o projeto quando vi em seus olhos um brilho, só por estar ali, naquele evento. Essa paixão pelo esporte, ou por qualquer coisa na vida, é na minha opinião de grande relevância para o sucesso.

Jessica Camargo
Jessica Camargo

Superadas as distâncias e adversidades, estávamos ali e a primeira coisa que fizemos foi ver a “grade” de palestras, todas gratuitas. Engatamos na palestra do Mojave, sobre migração do Holdem para Omaha. Adorei de cara, pois é difícil encontrarmos material, ainda mais palestra sobre essa modalidade. Ele ganhou uma fã só ao pronunciar a palavra “Badugi”. Quando conheci o Holdem, em 2008, baixei o Poker Stars, crente que haviam duas modalidades de Poker: Five Card draw (o poker fechado) que jogava a feijão com meu pai e o Texas Holdem. Quando vi no PS Omaha, Omaha Hi Lo, Badugi, Horse, 8-Game, 2-7 Triple Draw, 2-7 Single Draw, Razz, Stud, Stud Hi Lo, …, pirei literalmente.

Decidi que não jogaria o Holdem até aprender a jogar tais modalidades, aprendizado muito básico, lendo os tutoriais sobre as regras dos jogos disponíveis num link com acesso pelo lobby do PS e treinando em todos os freerolls disponíveis. Dito isto, vocês conseguem mensurar tamanha a minha satisfação, sendo espectadora de uma palestra com um grande profissional, um cara que eu conhecia das notícias, das capas de revista e que de muito bom grado estava ali, de forma gratuita ministrando a palestra, compartilhando seu conhecimento e experiências. Excelente a palestra, o Mojave é um cara carismático, com um conhecimento monstro sobre o jogo. Ele fará em breve uma série de palestras sobre estas modalidades e se estiver dentro do meu bankroll, certamente as verei. Puxei um dos brindes do Mister Beer, patrocinador do evento, ao responder a pergunta sobre uma das diferenças básicas entre Holdem e Omaha.

Depois da palestra, encontrei algumas das meninas que participam do Akkari Team Micro neste mês, o que foi super legal, pois acompanho a trajetória e torço muito por todas. Além do papo super bacana, foi muito bom ouvir “Você que é a Lizia?”. Poxa, eu não sou ninguém no Poker, faço parte da grande maioria de jogadores amadores, sem nenhum resultado expressivo. Obrigada gurias, Chaiane Araújo, Tatiane Schmitt e Ketelin Stachelski, por serem queridas e atenciosas comigo. Tive certeza de que escolheram mulheres especiais e merecedoras para este time.

Encontrei muito brevemente a Fernanda Lopes e a Renata Teixeira, igualmente queridas e simpáticas.

Tive o prazer de conhecer o Ivan Ban Martins, um dos comentaristas da TV Poker Pro. Sou telespectadora assídua e fã dos apresentadores, não foi surpresa nenhuma constatar que ele é exatamente a pessoa que transparece nas transmissões, super bacana, carismática e bem humorada. Quando confessei que sempre os perturbo nas transmissões ele solta a falinha “Bem que eu estranhei a tua ausência no Twitter”! rsrs

Senti-me cada vez melhor e mais inserida naquele contexto, tudo “culpa” dessas pessoas generosas, que por alguns minutos falam contigo e te olham nos olhos.

Engatamos em mais uma palestra, do Gabriel Dechichi Barbar, muito jovem, mas a genialidade em pessoa. Profundo conhecedor dessa super máquina que é o nosso cérebro. Vocês precisam ver isso para entender a genialidade deste rapaz:

Aprendemos muito sobre concentração e como transformar toda a pressão e adrenalina, comuns em torneios de Poker, em combustível para a resolução de problemas.  Eeeeee mais um kit Mister Beer puxado! =D

Mais um monstro do jogo ministrando palestra, Thiago Decano. Falou sobre apostas, motivos para fazê-las, se por valor ou blefe, ilustrou com exemplos e fez um nó na minha cabeça. Perguntas aparentemente simples, mas que te fazem repensar todo o teu jogo. A palestra termina e um pensamento fixo em minha mente: quanto mais eu aprendo, fica muito claro que o caminho ainda é longo.

Saímos a caça da lenda Igor Trafane, o Federal. Ele jogava o Main Event do Master Minds, nossa tarefa não seria fácil. O encontramos no break, ao lado do Akkari.

O break era de quinze minutos, pouquíssimo tempo para tantas perguntas que temos, tanto conhecimento que o precursor do Poker no Brasil possui. Nós que estamos no início dessa caminhada, que é tentar ajudar e unir as mulheres praticantes do esporte, não teríamos melhor oportunidade do que conversar com quem sabe, mais que ninguém, as dificuldades e desafios que iremos confrontar. Nos despedimos com novo encontro marcado, no BSOP Foz do Iguaçu.

Este será meu desafio, puxar uma vaga por satélite para o Evento que iniciará, por essas estranhas coincidências da vida, no dia 20 de março, meu aniversário.

Sobre o Master Minds, é um evento obrigatório para todos os praticantes de poker. Quem tem a oportunidade, não pode deixar de ir. Minha crítica: jogadores de poker amadores, onde vocês estavam? Com um monte de feras, ministrando palestras gratuitas que deveriam ter filas quilométricas e não atingiram a lotação máxima. Grandes oportunidades desperdiçadas.

Ficou a vontade de jogar e assistir as demais palestras de tantos profissionais.

Com essa fome de jogo, cheguei de viagem no domingo a tempo para o torneio inaugural do Grupo, satélite online no 888 Poker valendo uma vaga para um dos Eventos da Copa do Mundo de Poker que será realizada em Porto Alegre no mês de maio. Abri a transmissão da TV Poker Pro, em curso o torneio coach, excelente. Depois de jogar a FT inteira short e encarar um HU duríssimo contra a Adriana Maia, consegui cravar e pela segunda vez terei o privilégio de participar de um Evento do TioMax. Muito obrigada pela oportunidade e por apoiar nossa iniciativa! Mega Evento que será um grande sucesso!

http://www.copadomundodepoker.com.br/

Não posso deixar de agradecer a minha amiga Mercedes, grande responsável pela nossa presença no evento. Tu fez muita falta!

Meu esposo Robert, parceiro na vida e no poker, obrigada. Sem teu apoio e paciência, nada disso seria possível. Aproveito para dar dica de presente de aniversário: começa com BS e tem OP no final!  ;D

Lízia Trevisan – Twitter @liziatrevisan

Poker, mulher e preconceito.

Uma das mais fantásticas características do Poker é a inclusão. Qualquer pessoa, de variadas idades, de ambos os sexos, independente do grau de instrução, com ou sem deficiência física, pode praticar o esporte.

Dá para mensurar o quão democrático isto é?! Apesar do grande apelo desta, vemos uma maioria esmagadora de homens, nos eventos live e online.

Acredito que o número de mulheres aumenta a cada dia, mas ainda assim a disparidade é absurda.

Vamos aos números:

De acordo com o site IG: “O sexo feminino representa 5% dos jogadores.”

No ranking geral do Main Event do BSOP 2013, a mulher melhor colocada foi Simone Zanetti na 57ª colocação. A próxima jogadora melhor colocada no ranking foi Patricia Kim Yamashita, na 91ª colocação.

Ainda no ano de 2013, não tivemos nenhuma mulher em FTs do Main Event.

Até hoje, tivemos uma mulher campeã de um Main Event do BSOP. Gabriela Belizário venceu a etapa de Belo Horizonte em 2008.

Notório que a pouca representatividade das mulheres decorre do pequeno número de jogadoras.

Fica a pergunta: Por que há tão poucas mulheres praticantes de poker?

Se observarmos o universo dos jogos, veremos que a maioria é de homens.

Por exemplo, na relação de pessoas que conhecem que gostam de vídeo game, a maioria não é de homens?

Nos churrascos, as esposas/namoradas não torcem o nariz quando o truco começa?

Talvez esta competitividade que envolve os jogos seja inerente à personalidade masculina.

Qual a opinião de vocês?

Em contrapartida, as mulheres que gostam de jogos e querem jogar poker tem dificuldade em encontrar pessoas para conversar/aprender.

O preconceito com as jogadoras também é grande. Vejam o depoimento de jogadoras:

“Nunca passei por situações constrangedoras ou explícitas de machismo. Mas já tomei ‘falinhas’ desnecessárias e com segundas intenções. Algo insinuando eu ser fraca de poker apenas por ser mulher… falinha _ uhmm hoje está fácil… só mulheres na canhota ‘vo’ forrar…” Jessica Camargo

“O mais absurdo que ouvi foi um: “lugar de mulher é na cozinha, não é em mesa de poker não”. Aqui, eu sofro muito machismo no live sim. E sou muito caçada nas mesas… Mas isso acaba sendo mais motivador ainda. “ Luany de Macêdo

“Infelizmente ainda existe um pouco de machismo no poker – as mulheres, no live, ou são “caçadas” ou são “respeitadas” além do normal. Mas confesso que não acho ruim esse machismo no poker (no live uso a imagem de mulher para ser lucrativa).” Adriana Maia

Posso parecer controversa, mas sou contra torneios exclusivos para mulheres ou mesmo grupos como o nosso, onde homens não são aceitos. Acredito que essa separação de gênero vai contra o espírito do poker, como esporte democrático.

Mas analisando como mulher, é deveras intimidador chegar num salão, onde no máximo 5% das pessoas são mulheres, sentar, jogar, calcular as fichas no pote, ouvir falinhas por ser mulher, ser subestimada (ok, esta parte acho vantajoso rsrs) encarar os outros jogadores (HOMENS) e ser encarada pelos mesmos.

Se é difícil para quem joga, é ainda mais para as jogadoras iniciantes.

No atual quadro é mais do que válido, são necessários torneios, teams, grupos, promoções e o que mais for ajudar a aumentar em quantidade e qualidade o field feminino.

O grupo visa ser um local democrático para que todas as jogadoras, em diferentes níveis de aprendizado, tenham um espaço só delas, mas sonho com o dia em que estes não terão mais razão de haver e que queens e kings dividirão o mesmo espaço, com igualdade e respeito.

Até breve! 😉

Lízia Trevisan – Twitter @liziatrevisan

Dia 11 de janeiro de 2014, nasce o Queens of Poker!

Este é o texto de estreia do nosso Blog!

Quero começar agradecendo às amigas Mercedes Henriques e Jessica Camargo por abraçarem esta ideia comigo. Vocês são demais! =D

Foram três dias de muito trabalho só pra colocar o Grupo no ar. Trabalho muito bem recompensando, quando em menos de 24 horas de existência temos mais de 100 Queens no Grupo! Muito obrigada meninas, trabalharemos mais e mais para rechear o Grupo, Blog e Twitter com conhecimento, promoções e notícias do Poker!

Nesse Grupo queremos unir jogadoras profissionais e amadoras, para que juntas possamos crescer. Certeza que as veremos em muitas FTs e inspirarão outras mulheres a praticar este esporte desafiador e apaixonante!

Este blog será escrito a muitas mãos, inclusive pelas suas! Escreveu um artigo/texto bacana e quer compartilhar conosco? Mande-nos via e-mail para queensofpokerbr@gmail.com, com o assunto “Blog”. Os créditos dos textos serão devidamente informados. Contamos com a participação de vocês!

Criamos às pressas nossa “logo” para colocar tudo no ar. A Monalisa é sem dúvida a mulher mais misteriosa da história, a obra de arte mais conhecida do mundo eeee dona da maior “Poker Face” da face da Terra! rsrs Estamos desenvolvendo outras alternativas de logo e colocaremos todas em votação através de enquete em nossa página/Grupo no Facebook.

Nossa primeira parceria, para abrir o Grupo com chave de ouro, só poderia ser mesmo com a incrível Khatlen Mitzi Guse, percursora no apoio ao Poker e às jogadoras e colunista do “Mulheres no Feltro” na Revista Card Player.

Confiram!

Card Player: http://www.cardplayerbrasil.com/site/especiais_ver.asp?cod=7

Fórum http://www.barbarellapoker.com/

Facebook https://www.facebook.com/BarbarellaPoker?fref=ts

Fiquem por dentro das promoções e novidades através do Twitter @BarbarellaPoker.

Criamos também nossa Home Game no Poker Stars e em breve faremos um torneio inaugural. Adicionem nossa Home Game: ID 886235 – CÓDIGO DO CONVITE mulhernopano
Importante: informar o nome, conforme profile no Facebook, pois só aceitaremos os membros do grupo em nossa Home Game.

Ainda não faz parte do Grupo? Ficaremos honradas em tê-la conosco!

Nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/groups/queensofpokerbr/

Importante: só as mulheres, jogadoras e entusiastas do poker, podem participar do Grupo.

Rapazes, não poderemos aceita-los, porém nosso Grupo é público, todos podem ler o conteúdo. Agradecemos muito por nos ajudar a alcançar o maior número de jogadoras possível.

Siga-nos no Twitter @queensofpokerbr (https://twitter.com/queensofpokerbr)

Beijos, lindonas do Poker!

Lízia Trevisan – Twitter @liziatrevisan