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Fundadora do Queens of Poker

Convocação Queens of Poker

Iniciando nosso terceiro ano de existência, tentamos ao máximo buscar oportunidades para nossas participantes. Para isso, não só contamos, mas precisamos da participação de vocês.

Observem que o Queens of Poker não tem fins lucrativos, eu  e a Mercedes Henriques não temos nenhum tipo de remuneração, premiação, patrocínio pessoal, presentes/brindes/buyns ou afins. Fazemos por amor e por crer que juntas somos mais fortes, que devemos ter nosso espaço, opinar e nos ajudar mutuamente.

Não somos profissionais, somos jogadoras amadoras que investem tempo e dinheiro nesse projeto. Por isso pedimos que nos prestigiem, mostrem a nossa força, tragam mais meninas.

Você que já possui representatividade/notoriedade (independente do sexo), fale de nós, ajude-nos! A contribuição não é restrita a dinheiro. Todos podem colaborar com posts (nosso site é um canal e espaço de todos), coachings, contribuição com livros para sorteios/promoções, enfim, iniciativas que visam crescimento/aprimoramento das mulheres no poker.

Mandem seus resultados para que possamos compartilhar e que inspiram a todas nós.

Só assim, resultado de um esforço conjunto, esse projeto terá longevidade e alcançará novos patrocinadores, conseqüentemente, mais oportunidades para todas.

Nosso muitíssimo obrigado a todas as meninas e parceiros que nos apóiam e ajudam na divulgação desse projeto que tanto batalhamos para manter e crescer.

Beijos Queens, jogadoras guerreiras de todo o Brasil!

Mercedes e Lizia
Mercedes Henriques e Lizia Trevisan, fundadoras do Queens of Poker
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QUEENS OF POKER 2016: PARCERIA BETMOTION

Em janeiro de 2014 eu (Lizia) me inscrevi no processo seletivo do Akkari Team Feminino. Fiquei entre as 20 pré selecionadas, mas não fui chamada. O bacana dessa experiência foi que contatei um monte de meninas, até então conhecia pouquíssimas jogadoras. Show a iniciativa do Akkari Team, mas analisando o todo não podemos esperar somente a iniciativa alheia. Temos que nos unir e organizar, opinar e criar oportunidades para todas. Assim tive a ideia de criar o Queens of Poker. Convidei duas jogadoras para tocar o projeto, a Mercedes, uma das primeiras jogadoras que conheci e que se tornou uma grande amiga, e a Jessica Alvarenga, que também foi uma das pré selecionadas, foi super receptiva e abraçou de cara a empreitada! Assim nasceu o Queens of Poker.

Mas e agora? O que fazer? Estávamos quebrando a cabeça quando uma luz se acendeu, o Betmotion! Sempre pioneiro no incentivo do público feminino, eles investiram no nosso projeto e juntos desenhamos o Raking do Queens of Poker. Também foram responsáveis por outro patrocínio incrível, o da Raise Editora. Não conhecíamos ninguém dos bastidores, éramos apenas três jogadoras amadoras com uma idéia e a vontade de fazer acontecer. Eles fizeram essa ponte e nos colocaram no mapa. Sem eles, dificilmente estaríamos aqui, iniciando nosso terceiro ano de existência e conquistas. Nossos agradecimentos aos queridos Leonardo Baptista e Fabrício Murakami, não só por apoiarem o projeto, mas por acreditar na gente, no nosso trabalho, na nossa idoneidade. Vocês são incríveis!

Tão incríveis que além dos cem dólares garantidos em todas as etapas e premiação em dinheiro para as três melhores colocadas dos Rankings mensais, o Betmotion dará cinco vagas para o Ladies Event do BSOP Millions 2016!

Serão ao todo dez vagas do Ladies Event do BSOP Millions 2016 distribuídas no Queens of Poker para as melhores colocadas do Ranking anual!

BETMOTION

 

Fabrício Murakami, Product Manager do Betmotion Poker, falou conosco sobre a Empresa, iniciativas e sua visão sobre o mercado feminino: 

Como o poker surgiu na tua vida profissional?

Fabrício: Fui contratado pelo Betmotion (na época o site chamava-se Apostou Ganhou) em 2009, pois a empresa queria implementar o Poker como uma de suas verticais.

O poker surgiu na minha vida em uma época bem difícil pessoalmente falando: estava desempregado, com a minha esposa grávida. Fiquei desempregado por mais ou menos um ano e meio, quando descobri o poker através de uma revista e comecei a estudar a teoria do jogo e jogar torneios online e alguns live (nessa época confesso que o Poker me ajudou a pagar algumas contas).
Algum tempo depois, já estava trabalhando, quando fiquei sabendo através das redes sociais, que uma empresa estava à procura de um profissional da área de Marketing que conhecesse o mercado do Poker. Foi aí que acabei fazendo algumas entrevistas e fui contratado.

Fabrício Murakami, Product Manager do Betmotion Poker
Fabrício Murakami, Product Manager do Betmotion Poker

 

O Betmotion possui a quanto tempo, em sua grade, torneios exclusivos para mulheres? O que motivou essa iniciativa?

Fabrício: Começamos com torneios exclusivos em 2010 junto a Khaty do Barbarella. Na época promovíamos juntos o ranking FIFTYs (que existe até hoje no Betmotion e que é um tremendo sucesso) e posteriormente veio os torneios exclusivos para o público feminino.

Como foi formar o primeiro e único Team exclusivo de mulheres?

Fabrício: A ideia foi do Lucas Arnold (do Troll Team do Betmotion). Ele criou a iniciativa e apoiamos a ideia por achar algo muito importante para o crescimento do poker junto ao público feminino.

Observando todo o histórico, podemos ver que o Betmotion sempre investiu no público feminino, seja através de torneios, Team ou jogadoras patrocinadas como Ale Braga, Carol Dupré e Milena Magrini. Qual a visão do Betmotion sobre as jogadoras, quando e por que decidiram investir nesse público?

Fabrício: Acreditamos que o poker é um esporte democrático onde, independente do gênero, faixa etária e condição física, proporciona aos praticantes algo muito bacana que é a igualdade. Por conta disso, investir nesse segmento foi apenas um meio de apresentar de forma mais abrangente esse status de igualdade.

Milena Magrini, Leonardo Baptista e Carol Dupré.
Milena Magrini, Leonardo Baptista e Carol Dupré.

 

Qual a importância de um torneio exclusivamente feminino?

Fabrício: Como comentei anteriormente, simplesmente para mostrar para as mulheres que estão iniciando, que se trata de um esporte democrático. Oferecer algo específico para esse público é apenas uma forma de abrir portas para que novas jogadoras recreativas se habituem a esse universo e possam jogar torneios normais em pé de igualdade com qualquer outro jogador.

Ale Braga
Ale Braga

 

Como o mercado vê o público feminino? Podemos dizer que é diferente dos homens?

Fabrício: O mercado hoje aceita muito melhor o público feminino do que há alguns anos atrás. Exemplo disso é que cada dia que passa, vemos mais mulheres disputando torneios ao vivo e jogando um poker de excelente nível! Muito embora o universo masculino seja muito maior nesse esporte (haja vista o número de jogadores x jogadoras em torneios), temos que concordar que o desenvolvimento das mulheres no Poker ao longo desses anos, tem sido notável!

O que motivou a parceria com o Queens of Poker, o que esperam e como contribuirão?

Fabrício: Em primeiro lugar conseguimos enxergar paixão no que vocês fazem! Vimos que vocês produzem, atualizam e trabalham em prol de um objetivo que é a divulgação do Poker dentro do universo feminino, sem olhar nenhum tipo de vantagem pessoal, simplesmente porque amam o esporte. Foi exatamente por isso que todos os anos tentamos melhorar a premiação, bem como procurar formas alternativas de deixar o Ranking Ladies cada vez mais atrativo para o público feminino.

Bom, primeiramente gostaria de agradecer demais a parceria da Queens of Poker, em especial na pessoa Mercedes e da Lizia e dizer que estamos muito satisfeitos com o trabalho desenvolvido por vocês ao longo desses anos de parceria. Gostaria de aproveitar a oportunidade para convidar todas as mulheres que já jogam poker (e também as que não jogam) a se juntar a nós no ranking desse ano, que está repleto de novidades e prêmios incríveis! Dizer ainda, que mais do que disputar os prêmios do Ladies, convido a todas as simpatizantes do Poker e conhecer esse trabalho repleto de paixão que vocês fazem a frente da Queens of Poker, pois tenho certeza que as mulheres que ainda não conhecem se apaixonarão pelo Poker e pelo trabalho que vocês realizam!

Leonardo Baptista, Lizia Trevisan e Fabrício Murakami no BSOP Millions 2015.
Leonardo Baptista, Lizia Trevisan e Fabrício Murakami no BSOP Millions 2015.

Queens of Poker 2016: parceria BSOP

Em 2014 quando criamos esse projeto não tínhamos ideia se teríamos algum êxito. O pensamento é que nós, mulheres, tínhamos que nos unir e organizar para que tenhamos crescimento no poker. A verdade é que o Queens of Poker superou todas as nossas expectativas, tanto pelo apoio como pelo carinho das meninas.

Mas tão importante quanto o apoio das meninas é o da comunidade do poker, pois sem ele não conseguiríamos gerar oportunidades, tampouco iniciaríamos o nosso terceiro ano de existência.

Representamos menos de 5% do Field, criar do zero um projeto específico para um grupo ainda pequeno é um grande desafio. Batemos de “porta em porta” sempre buscando reais oportunidades de inserção e crescimento/aprendizagem. Sempre tivemos a preocupação de não deixar o projeto virar uma distribuidora de brindes. Nesses dois anos os prêmios concedidos sempre visaram o aprimoramento do jogo através de livros da Raise Editora, coachings com jogadores profissionais, vagas para grandes torneios online e live, incremento de bankroll. Essa preocupação vem de encontro ao objetivo do projeto, pois acreditamos que só teremos resultados importantes com estudo, experiência e volume, conseqüentemente o crescimento numérico, proporcionando que mais mulheres tenham contato com o esporte através de tantas jogadoras que nos inspiram.

É com muito orgulho que anunciamos que o BSOP é nosso mais novo patrocinador! Serão cinco vagas para o Ladies Event do BSOP Millions 2016 para as melhores colocadas do nosso Ranking!

LOGO BSOP

Convidamos a Lara Bruno Machado Campos, Diretora de Operações do BSOP, para falar sobre a parceria. Aproveitamos para agradecer a ela, pois desde o início nos incentivou, nos atendendo sempre com o profissionalismo e simpatia que são suas marcas registradas! Se nós perseveramos é graças a pessoas como você. OBRIGADA!

Lara Bruno Machado Campos, Diretora de Operações do BSOP
Lara Bruno Machado Campos, Diretora de Operações do BSOP

 

Conte-nos um pouco de sua história, quando e como conheceu o poker, como é trabalhar num dos maiores eventos do mundo, quais atividades exerce.

Lara: Eu conheci o poker no início de 2009. Nesta época, eu já trabalhava com eventos há algum tempo e havia feito uma pós-graduação no tema. Fiquei feliz em ser convidada pelo Igor Federal para organizar o “Prêmio Flop” pelo grupo Superpoker e foi aí que tive os primeiros contatos. Depois disso, ajudei a organizar a parte de produção do torneio 750K.

A minha experiência no mercado de eventos e os primeiros contatos positivos com torneios fez com que o pessoal do BSOP enxergasse uma oportunidade de me trazer para tocar a produção do evento.

Hoje sou a responsável por toda a produção e logística do evento, incluindo o planejamento e execução de tudo o que não é relacionado a poker mas, sim, ao evento em si.

 

O primeiro torneio Ladies  foi no Millions de 2011, com um total de 69 Jogadoras, a campeã  Fabiana La Foz ganhou R$ 5.250,00, em segundo lugar Kelly Zumbano e terceiro Lilian Costa.
O primeiro torneio Ladies foi no Millions de 2011, com um total de 69 Jogadoras, a campeã Fabiana La Foz ganhou R$ 5.250,00, em segundo lugar Kelly Zumbano e terceiro Lilian Costa.

 

Por que o BSOP fez do Ladies Event um torneio de sua grade regular, já que anteriormente somente em algumas etapas ocorriam?

Lara: O BSOP foi aumentando o número de torneios em suas etapas de forma bem gradual. Sempre notamos que muitas mulheres acompanhavam maridos, namorados e amigos nos torneios, mas tinham receio de se inscrever para disputar. O poker é um esporte mental que não limita a participação de ninguém. Jovens e pessoas mais velhas podem disputar de igual para igual, pessoas com deficiências físicas disputam. Oras, se é um esporte da mente, porque teríamos pouquíssimas meninas disputando em pé de igualdade com os garotos?

Por isso, no “Millions” de 2011, fizemos uma primeira experiência de um torneio 100% feminino. A experiência foi um sucesso e passamos a repetir em algumas etapas. Inicialmente duas vezes por ano.

Depois, em 2014, resolvemos adicionar o torneio à grade de todas as etapas. Hoje o Ladies é um torneio regular em nosso calendário e de lá ele não sai.

Mesa final do Ladies Event do BSOP Millions 2015. Field record de 164 jogadoras, total arrecado de R$ 61.630, 00. A campeã foi Elide Miyashiro de Abreu que ganhou R$ 14.330,00.
Mesa final do Ladies Event do BSOP Millions 2015. Field record de 164 jogadoras, total arrecado de R$ 61.630, 00. A campeã foi Elide Miyashiro de Abreu que ganhou R$ 14.330,00.

 

 

O que as meninas que desejam jogar o Ladies Event podem esperar do torneio? O que a organização preparou para 2016? Como ocorre em alguns países, homens podem participar?

Lara: Sempre procuramos formatar os torneios para quem efetivamente participa. Como nas etapas regulares do BSOP (excetuando-se o Millions), os torneios paralelos invariavelmente ocorrem nos mesmos dias do Main Event, a grande maioria das participantes do Ladies acabam sendo jogadoras que estão acompanhando alguém ou que querem ter uma primeira experiência com um torneio de poker. Isso porque as profissionais, em geral, continuam brigando pelo Main Event ou High Rollers. O Ladies muitas vezes é a porta de entrada para as mulheres no live.

Por este motivo, o torneio tende a ter uma estrutura de 1 só dia. Porém, damos a ele um cuidado especial para que também não seja algo muito rápido e que tire o prazer de jogar um bom poker, além dos mimos de sempre que preparamos, especialmente para elas.

No BSOP apenas aceitamos inscrições de mulheres no Ladies.

Presentes paras as Ladies.
Presentes paras as Ladies.

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O poker é um esporte democrático, onde homens e mulheres jogam em condições igualitárias. Qual a importância de um torneio exclusivamente feminino?

Lara: A importância é muito grande! O poker é um esporte no qual a maioria dos participantes são homens. Mas isso é só porque a maioria das mulheres ainda não descobriu o quanto ele é simples de se aprender e o quanto que nós, detalhistas natas, conseguimos extrair de vantagem.

O Ladies tem justamente a importância de apresentar um novo mundo para novas praticantes sem que elas tenham que se sentir intimidadas num mundo com uma maioria tão grande de homens.

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O que motivou a parceria com o Queens of Poker?

Lara: A perseverança das organizadoras em fomentar o grupo para a adesão de novas praticantes foi definitiva!

Fico muito feliz em poder contribuir e espero que a maioria das meninas percam o receio de disputar os torneios de poker. Mulheres são tão boas jogadoras quanto os homens e não existe razão para não querer sentar-se às mesas e buscar o bracelete. Duas já fizeram isso no M.E. do BSOP… ainda faltam mais vitórias nossas!

O BSOP está de braços abertos para receber a todas as competidoras.

Para gringo ver.

Sobre o episódio da “batida” policial numa casa de poker, na tarde de quarta-feira, 18/03/2015 em São Paulo, motivada pela denúncia de turistas estrangeiros que supostamente teriam perdido muito dinheiro no clube.

Não é proibido cash, não é proibido poker. O fato é que não há legislação, o que resta é a interpretação dos juízes.

Independentemente da posição de qualquer pessoa, se é contra ou a favor do poker, como cidadã e contribuinte me sinto uma palhaça quando vejo uma notícia dessa. Trinta viaturas, quarenta homens, muito sensacionalismo de uma mídia que tem como objetivo secundário informar, mais parece uma pseudo celebridade baixando o nível para obter mais exposição.

E nós jogadores de poker e não jogadores, pagando por isso. Enquanto isso meu marido foi assaltado, meu filho, meu sócio. Alguém foi preso?! Não. Mas dois ônibus foram necessários para transporte dos cem jogadores que foram levados para a delegacia enquanto a sociedade sofre com a violência galopante.

A questão aqui deixou de ser poker. Se querem fazer algo contra ou a favor do poker, que se faça no âmbito da lei.

As autoridades podem e devem atuar, o fato é que um circo foi montado, só que neste espetáculo nós somos os palhaços.

Literalmente: Para gringo ver.

Lízia Trevisan

Os tipos de jogadores que as mulheres encontram nas mesas.

É sabido que há diversas nomenclaturas para classificar os jogadores de poker no que tange ao estilo de jogo.

Mas a que proponho aqui é para ilustrar o comportamento dos homens quando há mulheres nas mesas. Algumas meninas podem sentir-se intimidadas em participar de eventos live justamente pelo número reduzido de mulheres. Quero tentar transmitir um pouco da minha experiência.

O pró: serve também para os regulares. Esses pintam um alvo na tua testa no quesito roubo de blinds. Temos a fama de “ultra tight”, então prepare-se para muita ação, principalmente quando estiver no BB. A ideia é que não enfrentarão muita resistência aumentando pré flop, somente quando a oponente estiver no topo do range. Se perceber que um malandro está fazendo isso, 3bet na cachola dele, use da imagem de mulher. Comigo já não dá certo faz tempo, acho que tenho cara de mentirosa ou dou muito tell – o que seria bom se viesse valor para mim com mais frequência do que o Cometa Halley.

O pavão: são uns fOfOs. Sempre gentis e educados, puxam conversa e tendem a não se envolver em mãos contigo. O fato de serem atenciosos não quer dizer que estão te cantando; alguns homens são por natureza “pavão”, sentem necessidade de se sobressair sobre os demais “machos”, exibindo-se para as mulheres afim de monopolizar a sua atenção. Como eles querem mantê-la na mesa, cuidado redobrado quando estiverem disputando uma mão. Se estão envolvidos, tem caroço nesse angu! Há uma variação desse tipo que tenta fazer charminho ao mesmo tempo em que arma AQUELA trap.

O flopeiro: com esses tu pode tiltar. Pagam os teus aumentos na maldade com quaisquer duas cartas, geralmente baixas, para te quebrar. Com a imagem “ultra tight” da mulher o plano é acertar um board baixo, que não conecte com o range da agressora. Mesmo se não acertarem, acreditam que podem puxar o pote blefando. Já ouvi falinha como “vejamos se eu consigo quebrar o teu par”. Pior é que conseguiu, call com J2s, flush runner runner. Eu tinha QQ. Maldita memória de elefante!

O tiozão: não se engane, não tem idade. São indiferentes a nós. Muito limp/call, de AA a 54. É um tipo de flopeiro, só que passivo pré flop. Quando betam ou donk betam, pode crer que acertaram. Cuidado quando tomarem 3bet. Perdi um pote grande com AQo por causa de kicker (o indivíduo limpou AK). Todo castigo para quem “limpa” AK é pouco, mas não foi dessa vez…

O Neanderthal: ao contrário do que afirma a comunidade científica, eles não estão extintos, creia. É uma espécie que acredita que o último lugar do mundo em que uma mulher deve estar é numa mesa de poker. São grosseiros, mal educados e podem chegar a ser desrespeitosos. Infelizmente, já tive algumas experiências. Ouvi coisas como “gosto de jogar contra quem sabe, não com quem só enfeita a mesa”. O fato é que para eles é inaceitável perder para uma mulher. Eu acredito que a melhor resposta seja na mesa, jogando e tirando as fichas da criatura. Mas se as indiretas virarem diretas e ultrapassararem o teu limite de tolerável, peça para que o dealer chame o floor/diretor de torneio e explique a situação. O poker é antes de tudo um evento social, deve ser divertido e prazeroso. Não é justo que tirem isso de você ou de qualquer jogador. A boa notícia é que são burros e farão de tudo para te tirar da mesa, uma ótima oportunidade para fazer fichas. Aconselho que apostem por valor contra esses oponentes porque, minha amiga, eles vão te pagar, ahhhh vão!

O Marido: para os casais, parceiros no poker, ocasionalmente cairão na mesma mesa. Aqui és tu quem manda. Pensa nisso como uma extensão da tua casa. Se ele for do tipo rebelde, nada que uma noite no sofá não resolva. “Meu marido. Meu amor. Encare isso como licença poética”. =*

O restante: quer suas fichas, como os anteriores.

O live para mim é diversão, meu momento de descontração depois de uma semana de trabalho, de rever os amigos, de dar e levar bads e rir em ambas as situações.

Convenhamos, a variância no live é absurda e fazer volume é difícil. Então, divirta-se!

Lízia Trevisan

O saldo da WSOP 2014

 

Chega ao fim (ou quase) a WSOP 2014. Como espectadora pude perceber a invasão de brasileiros na Sin City, o que é muito bacana pois nos dá uma ideia da proporção que o Poker está tomando no Brasil. Porém há dois fatos, ou melhor, personalidades que se destacaram: Daniel Colman e Bruno Politano, o Foster.

Daniel Colman protagonizou uma polêmica no Big One for One Drop, evento com buy-in de um milhão de dólares, após vencer Daniel Negreanu no HU e sagrar-se campeão. Sua recusa em dar entrevistas somada a declaração justificando a mesma (que pode ser conferida neste link, matéria do Pokerdoc), foram mais emblemáticas que sua vitória.

Fato que me levou à uma reflexão, pois sou uma apaixonada pelo Poker. Isso nunca me impediu de ter uma visão crítica, tampouco de tomar atitudes afim de ao menos tentar contribuir para uma mudança positiva no que acredito ser necessário. Que o Poker é um universo ainda majoritariamente masculino, é sabido. Falando muito honestamente, me incomoda a pouca representatividade feminina e passei a questionar sobre os motivos para tal. Tentar buscar respostas se mostrou mais que improdutivo, assim nasceu o Queens of Poker. Ele ainda é um “bebê”, criado há poucos meses, mas tive gratas surpresas quanto ao Grupo: pessoas que acreditaram no nosso projeto e a união das gurias, sempre super receptivas para conosco e principalmente, torcendo umas pelas outras. Isso muito me comove, se tratando de uma atividade individual e altamente competitiva.

O Grupo demanda trabalho e tempo, que é muito restrito para mim, além dos parcos recursos que disponho. Sempre tive em mente a inserção e crescimento das mulheres no Poker, com o cuidado de não virarmos uma “distribuidora de brindes”. Queríamos algo que agregasse e criasse oportunidades. Com isso em mente, batemos de “porta em porta”, onde encontramos o “sim”, o “não” e as vezes nem a resposta. É bem triste esta última, pois tentamos fazer algo diferente, visando o crescimento do esporte em um público mais que promissor. Uma resposta é mais que gentileza, é consideração, humildade e respeito.

Sou muito grata a minha amiga Mercedes Henriques que mais que contribui, sem ela este não seria possível, ao Betmotion, nas pessoas do Leonardo Baptista e Fabrício Murakami que acreditam em nosso projeto e o tornaram possível. Khatlen Guse e Marco Naccarato são dois presentes que o Poker me trouxe, obrigada amigos! Tio Max, agradeço pelo espaço que nos cedeu e por proporcionar a mim, uma jogadora amadora, disputar eventos que minha bankroll não permite. A vocês amigos e parceiros do Poker que nos ajudam na divulgação do Queens of Poker, muito obrigada.

Dito isto, gostaria muito que Daniel Colman tomasse uma atitude afim de mudar o que acredita estar errado no Poker. Se eu posso fazer algo, ele com mais recursos e sob todos os holofotes do Poker, pode fazer muito mais. Acredito que atitudes falam mais que palavras e não gostaria que uma discussão tão pertinente quanto a levantada por ele findasse com uma imagem, a imagem de um homem sobre uma montanha de dinheiro com a mensagem “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”.

Deixando o “lado sombrio”, Bruno Foster: que belo presente nos deu. Empunhando nossa bandeira com orgulho de ser brasileiro, dividindo conosco esta grande conquista, o primeiro brasileiro na FT do Main Event da WSOP. Deste show de poker e patriotismo, obrigada! Obrigada principalmente por mostrar o “lado bom” do Poker.

Lízia Trevisan

Twitter @liziatrevisan

Master Minds – A viagem!

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A segunda semana de fevereiro começou como todas as demais, muito trabalho, pouco tempo e muito vontade.

Mal sabia o trabalho e consequente tempo que este projeto demandaria, o que me afastou do estudo e jogo de Poker neste período. Lado ruim: ficar sem jogar. Lado bom: te afastar por um tempo do game te permite analisar melhor teu jogo, tua agenda e organização, aonde tu está e aonde quer chegar. Além é claro, de que o retorno a prática do esporte tem um gosto doce, uma vontade imensa de jogar e ser o último player a levantar da mesa, muito foco e concentração.

Estava a cerca de um mês importunando meu esposo perguntando diariamente “E aí, vamos ao Master Minds?”, sem uma resposta e com uma infecção de garganta que o acometeu na segunda-feira o prognóstico não era bom.

Mas no meio da semana a Mercedes, amiga e parceira no projeto, contatou o Igor Federal, personalidade que dispensa apresentações. Ele, pessoa muito solícita e educada, topou conversar conosco. A desculpa que me faltava.

Como foi tudo muito às vésperas, não conseguimos acompanhar desde o primeiro dia, sexta feira. Colocamos o pé na estrada, de Curitiba para São Paulo na manhã de sábado. Chegamos mais tarde do que planejado, viagem inteira com chuva, às três da tarde. Lamentavelmente, perdi a palestra do Akkari, justamente sobre mulheres no Poker.

A Jessica levou uma baita bad. Mesmo morando a duas horas do evento, chegou depois de mim. Carro quebrado no meio do caminho. =( Meu primeiro encontro “live” com ela foi breve, mas me despedi com a certeza de que encontrei a pessoa certa para o projeto quando vi em seus olhos um brilho, só por estar ali, naquele evento. Essa paixão pelo esporte, ou por qualquer coisa na vida, é na minha opinião de grande relevância para o sucesso.

Jessica Camargo
Jessica Camargo

Superadas as distâncias e adversidades, estávamos ali e a primeira coisa que fizemos foi ver a “grade” de palestras, todas gratuitas. Engatamos na palestra do Mojave, sobre migração do Holdem para Omaha. Adorei de cara, pois é difícil encontrarmos material, ainda mais palestra sobre essa modalidade. Ele ganhou uma fã só ao pronunciar a palavra “Badugi”. Quando conheci o Holdem, em 2008, baixei o Poker Stars, crente que haviam duas modalidades de Poker: Five Card draw (o poker fechado) que jogava a feijão com meu pai e o Texas Holdem. Quando vi no PS Omaha, Omaha Hi Lo, Badugi, Horse, 8-Game, 2-7 Triple Draw, 2-7 Single Draw, Razz, Stud, Stud Hi Lo, …, pirei literalmente.

Decidi que não jogaria o Holdem até aprender a jogar tais modalidades, aprendizado muito básico, lendo os tutoriais sobre as regras dos jogos disponíveis num link com acesso pelo lobby do PS e treinando em todos os freerolls disponíveis. Dito isto, vocês conseguem mensurar tamanha a minha satisfação, sendo espectadora de uma palestra com um grande profissional, um cara que eu conhecia das notícias, das capas de revista e que de muito bom grado estava ali, de forma gratuita ministrando a palestra, compartilhando seu conhecimento e experiências. Excelente a palestra, o Mojave é um cara carismático, com um conhecimento monstro sobre o jogo. Ele fará em breve uma série de palestras sobre estas modalidades e se estiver dentro do meu bankroll, certamente as verei. Puxei um dos brindes do Mister Beer, patrocinador do evento, ao responder a pergunta sobre uma das diferenças básicas entre Holdem e Omaha.

Depois da palestra, encontrei algumas das meninas que participam do Akkari Team Micro neste mês, o que foi super legal, pois acompanho a trajetória e torço muito por todas. Além do papo super bacana, foi muito bom ouvir “Você que é a Lizia?”. Poxa, eu não sou ninguém no Poker, faço parte da grande maioria de jogadores amadores, sem nenhum resultado expressivo. Obrigada gurias, Chaiane Araújo, Tatiane Schmitt e Ketelin Stachelski, por serem queridas e atenciosas comigo. Tive certeza de que escolheram mulheres especiais e merecedoras para este time.

Encontrei muito brevemente a Fernanda Lopes e a Renata Teixeira, igualmente queridas e simpáticas.

Tive o prazer de conhecer o Ivan Ban Martins, um dos comentaristas da TV Poker Pro. Sou telespectadora assídua e fã dos apresentadores, não foi surpresa nenhuma constatar que ele é exatamente a pessoa que transparece nas transmissões, super bacana, carismática e bem humorada. Quando confessei que sempre os perturbo nas transmissões ele solta a falinha “Bem que eu estranhei a tua ausência no Twitter”! rsrs

Senti-me cada vez melhor e mais inserida naquele contexto, tudo “culpa” dessas pessoas generosas, que por alguns minutos falam contigo e te olham nos olhos.

Engatamos em mais uma palestra, do Gabriel Dechichi Barbar, muito jovem, mas a genialidade em pessoa. Profundo conhecedor dessa super máquina que é o nosso cérebro. Vocês precisam ver isso para entender a genialidade deste rapaz:

Aprendemos muito sobre concentração e como transformar toda a pressão e adrenalina, comuns em torneios de Poker, em combustível para a resolução de problemas.  Eeeeee mais um kit Mister Beer puxado! =D

Mais um monstro do jogo ministrando palestra, Thiago Decano. Falou sobre apostas, motivos para fazê-las, se por valor ou blefe, ilustrou com exemplos e fez um nó na minha cabeça. Perguntas aparentemente simples, mas que te fazem repensar todo o teu jogo. A palestra termina e um pensamento fixo em minha mente: quanto mais eu aprendo, fica muito claro que o caminho ainda é longo.

Saímos a caça da lenda Igor Trafane, o Federal. Ele jogava o Main Event do Master Minds, nossa tarefa não seria fácil. O encontramos no break, ao lado do Akkari.

O break era de quinze minutos, pouquíssimo tempo para tantas perguntas que temos, tanto conhecimento que o precursor do Poker no Brasil possui. Nós que estamos no início dessa caminhada, que é tentar ajudar e unir as mulheres praticantes do esporte, não teríamos melhor oportunidade do que conversar com quem sabe, mais que ninguém, as dificuldades e desafios que iremos confrontar. Nos despedimos com novo encontro marcado, no BSOP Foz do Iguaçu.

Este será meu desafio, puxar uma vaga por satélite para o Evento que iniciará, por essas estranhas coincidências da vida, no dia 20 de março, meu aniversário.

Sobre o Master Minds, é um evento obrigatório para todos os praticantes de poker. Quem tem a oportunidade, não pode deixar de ir. Minha crítica: jogadores de poker amadores, onde vocês estavam? Com um monte de feras, ministrando palestras gratuitas que deveriam ter filas quilométricas e não atingiram a lotação máxima. Grandes oportunidades desperdiçadas.

Ficou a vontade de jogar e assistir as demais palestras de tantos profissionais.

Com essa fome de jogo, cheguei de viagem no domingo a tempo para o torneio inaugural do Grupo, satélite online no 888 Poker valendo uma vaga para um dos Eventos da Copa do Mundo de Poker que será realizada em Porto Alegre no mês de maio. Abri a transmissão da TV Poker Pro, em curso o torneio coach, excelente. Depois de jogar a FT inteira short e encarar um HU duríssimo contra a Adriana Maia, consegui cravar e pela segunda vez terei o privilégio de participar de um Evento do TioMax. Muito obrigada pela oportunidade e por apoiar nossa iniciativa! Mega Evento que será um grande sucesso!

http://www.copadomundodepoker.com.br/

Não posso deixar de agradecer a minha amiga Mercedes, grande responsável pela nossa presença no evento. Tu fez muita falta!

Meu esposo Robert, parceiro na vida e no poker, obrigada. Sem teu apoio e paciência, nada disso seria possível. Aproveito para dar dica de presente de aniversário: começa com BS e tem OP no final!  ;D

Lízia Trevisan – Twitter @liziatrevisan

Poker, mulher e preconceito.

Uma das mais fantásticas características do Poker é a inclusão. Qualquer pessoa, de variadas idades, de ambos os sexos, independente do grau de instrução, com ou sem deficiência física, pode praticar o esporte.

Dá para mensurar o quão democrático isto é?! Apesar do grande apelo desta, vemos uma maioria esmagadora de homens, nos eventos live e online.

Acredito que o número de mulheres aumenta a cada dia, mas ainda assim a disparidade é absurda.

Vamos aos números:

De acordo com o site IG: “O sexo feminino representa 5% dos jogadores.”

No ranking geral do Main Event do BSOP 2013, a mulher melhor colocada foi Simone Zanetti na 57ª colocação. A próxima jogadora melhor colocada no ranking foi Patricia Kim Yamashita, na 91ª colocação.

Ainda no ano de 2013, não tivemos nenhuma mulher em FTs do Main Event.

Até hoje, tivemos uma mulher campeã de um Main Event do BSOP. Gabriela Belizário venceu a etapa de Belo Horizonte em 2008.

Notório que a pouca representatividade das mulheres decorre do pequeno número de jogadoras.

Fica a pergunta: Por que há tão poucas mulheres praticantes de poker?

Se observarmos o universo dos jogos, veremos que a maioria é de homens.

Por exemplo, na relação de pessoas que conhecem que gostam de vídeo game, a maioria não é de homens?

Nos churrascos, as esposas/namoradas não torcem o nariz quando o truco começa?

Talvez esta competitividade que envolve os jogos seja inerente à personalidade masculina.

Qual a opinião de vocês?

Em contrapartida, as mulheres que gostam de jogos e querem jogar poker tem dificuldade em encontrar pessoas para conversar/aprender.

O preconceito com as jogadoras também é grande. Vejam o depoimento de jogadoras:

“Nunca passei por situações constrangedoras ou explícitas de machismo. Mas já tomei ‘falinhas’ desnecessárias e com segundas intenções. Algo insinuando eu ser fraca de poker apenas por ser mulher… falinha _ uhmm hoje está fácil… só mulheres na canhota ‘vo’ forrar…” Jessica Camargo

“O mais absurdo que ouvi foi um: “lugar de mulher é na cozinha, não é em mesa de poker não”. Aqui, eu sofro muito machismo no live sim. E sou muito caçada nas mesas… Mas isso acaba sendo mais motivador ainda. “ Luany de Macêdo

“Infelizmente ainda existe um pouco de machismo no poker – as mulheres, no live, ou são “caçadas” ou são “respeitadas” além do normal. Mas confesso que não acho ruim esse machismo no poker (no live uso a imagem de mulher para ser lucrativa).” Adriana Maia

Posso parecer controversa, mas sou contra torneios exclusivos para mulheres ou mesmo grupos como o nosso, onde homens não são aceitos. Acredito que essa separação de gênero vai contra o espírito do poker, como esporte democrático.

Mas analisando como mulher, é deveras intimidador chegar num salão, onde no máximo 5% das pessoas são mulheres, sentar, jogar, calcular as fichas no pote, ouvir falinhas por ser mulher, ser subestimada (ok, esta parte acho vantajoso rsrs) encarar os outros jogadores (HOMENS) e ser encarada pelos mesmos.

Se é difícil para quem joga, é ainda mais para as jogadoras iniciantes.

No atual quadro é mais do que válido, são necessários torneios, teams, grupos, promoções e o que mais for ajudar a aumentar em quantidade e qualidade o field feminino.

O grupo visa ser um local democrático para que todas as jogadoras, em diferentes níveis de aprendizado, tenham um espaço só delas, mas sonho com o dia em que estes não terão mais razão de haver e que queens e kings dividirão o mesmo espaço, com igualdade e respeito.

Até breve! 😉

Lízia Trevisan – Twitter @liziatrevisan