Para gringo ver.

Sobre o episódio da “batida” policial numa casa de poker, na tarde de quarta-feira, 18/03/2015 em São Paulo, motivada pela denúncia de turistas estrangeiros que supostamente teriam perdido muito dinheiro no clube.

Não é proibido cash, não é proibido poker. O fato é que não há legislação, o que resta é a interpretação dos juízes.

Independentemente da posição de qualquer pessoa, se é contra ou a favor do poker, como cidadã e contribuinte me sinto uma palhaça quando vejo uma notícia dessa. Trinta viaturas, quarenta homens, muito sensacionalismo de uma mídia que tem como objetivo secundário informar, mais parece uma pseudo celebridade baixando o nível para obter mais exposição.

E nós jogadores de poker e não jogadores, pagando por isso. Enquanto isso meu marido foi assaltado, meu filho, meu sócio. Alguém foi preso?! Não. Mas dois ônibus foram necessários para transporte dos cem jogadores que foram levados para a delegacia enquanto a sociedade sofre com a violência galopante.

A questão aqui deixou de ser poker. Se querem fazer algo contra ou a favor do poker, que se faça no âmbito da lei.

As autoridades podem e devem atuar, o fato é que um circo foi montado, só que neste espetáculo nós somos os palhaços.

Literalmente: Para gringo ver.

Lízia Trevisan

Torneio CT Super Poker e Queens of Poker

BANNER

Desde a criação do Queens of Poker sempre buscamos parcerias que proporcionem oportunidades de crescimento para as mulheres no Poker. É com muita alegria que anunciamos a parceria com o CT Super Poker, a melhor escola online de poker!

Para lançar nossa nova parceria, torneio especial com 100 dólares garantidos mais uma assinatura mensal do CT Super Poker para a campeã!

Torneio EXCLUSIVO para mulheres!

Todas as meninas que jogaram o nosso Ranking de 2014 já estão aptas para inscrição no torneio.

LOBBY

Quem ainda não participou de nenhum de nossos eventos, participe do nosso grupo no Facebook e solicite o convite para os nossos torneios e fique por dentro de nossas promoções!

Link grupo https://www.facebook.com/queensofpokerbr

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Liga Millions Queens of Poker

Quer jogar o BSOP Millions? A Liga Millions Queens of Poker premiará a campeã com o buyn do Main Event que terá 5 milhões garantidos em premiação! Segunda e terceira colocadas ganharão o buyn do Ladies Event do BSOP Millions que terá 30K garantidos!

Serão quatro etapas aos domingos, nos dias 19/10, 26/10, 02/11 e 09/11/2014. As campeãs serão definidas pela somatória de pontos de todas as tapas.

Confira o regulamento e participe!

 

Regulamento Geral 

  1. O Betmotion Poker disponibilizará uma série de quatro torneios semanais em que as jogadoras melhores classificadas somam pontos para Ranking, chamado Liga Millions Queens of Poker.
  2. Os torneios são no formato de Freebuy, podendo participar qualquer jogadora que tenha uma conta ativa no Betmotion Poker. O buyn será free, rebuys USD 2 (2 dólares para 2 mil fichas) ilimitados na primeira hora, mais add-on de USD 2 (2 dólares para 4 mil fichas). Inscrição tardia até o final da primeira hora/final do rebuy.
  3. As etapas ocorrerão nos dias 19 e 26 de outubro e 02 e 09 de novembro, sempre aos domingos às 18h00 (horário de Brasília).
  4. O sistema de pontuação para os jogadores respeitará o seguinte critério:

Pontuação

  1. O critério que determinará as ganhadoras será os pontos acumulados nas etapas.
  2. Em caso de empate de pontos o critério de desempate será o número de mesas finais que cada jogadora empatada fizer. Caso o empate persista, será analisado o desempenho em termos de posições nas mesas finais para determinar a ganhadora.
  3. Betmotion Poker e Queens of Poker poderão divulgar, a seu critério, o apelido e nome das jogadoras, bem como a classificação e mãos jogadas por qualquer jogadora a título de informação nos meios que achar mais adequado. Poderá ainda solicitar uma foto para a divulgação da competição e/ou algum depoimento e/ou entrevista.
  4. Inscrição: Os torneios serão para convidadas. As participantes deverão ser membros do Grupo Queens of Poker no Facebook e através deste canal informar nome e nickname no Betmotion Poker, observando a devida antecedência. Informar no dia do evento não garantirá a participação no mesmo. O ranking é aberto somente para pessoas do sexo feminino.
  5. Premiação do Ranking: a Campeã ganhará o buyn do Main Event do BSOP Millions no valor de 3 mil reais, cortesia do Igor Trafane “Federal”, Presidente da CBTH, 2ª e 3ª colocadas ganharão buyn do Ladies Only com 30K garantidos no valor de 460 reais, cortesia do Betmotion. Os eventos ocorrerão entre os dias 25/11 e 03/12/2014 em São Paulo. As Campeãs jogarão os eventos caracterizadas com bonés, patches ou camisetas do Betmotion Poker e Queens of Poker.
  6. Os prêmios acima descritos não poderão ser trocados ou substituídos por dinheiro. Caso a(s) ganhadora(s) não possam comparecer ao evento, a premiação será revertida para a jogadora que tenha galgado a posição imediatamente posterior a(s) referida(s).
  7. No caso de existir um jogador do sexo masculino, os prêmios não serão concedidos. Poderão ser solicitados documentos oficiais com foto.

O saldo da WSOP 2014

 

Chega ao fim (ou quase) a WSOP 2014. Como espectadora pude perceber a invasão de brasileiros na Sin City, o que é muito bacana pois nos dá uma ideia da proporção que o Poker está tomando no Brasil. Porém há dois fatos, ou melhor, personalidades que se destacaram: Daniel Colman e Bruno Politano, o Foster.

Daniel Colman protagonizou uma polêmica no Big One for One Drop, evento com buy-in de um milhão de dólares, após vencer Daniel Negreanu no HU e sagrar-se campeão. Sua recusa em dar entrevistas somada a declaração justificando a mesma (que pode ser conferida neste link, matéria do Pokerdoc), foram mais emblemáticas que sua vitória.

Fato que me levou à uma reflexão, pois sou uma apaixonada pelo Poker. Isso nunca me impediu de ter uma visão crítica, tampouco de tomar atitudes afim de ao menos tentar contribuir para uma mudança positiva no que acredito ser necessário. Que o Poker é um universo ainda majoritariamente masculino, é sabido. Falando muito honestamente, me incomoda a pouca representatividade feminina e passei a questionar sobre os motivos para tal. Tentar buscar respostas se mostrou mais que improdutivo, assim nasceu o Queens of Poker. Ele ainda é um “bebê”, criado há poucos meses, mas tive gratas surpresas quanto ao Grupo: pessoas que acreditaram no nosso projeto e a união das gurias, sempre super receptivas para conosco e principalmente, torcendo umas pelas outras. Isso muito me comove, se tratando de uma atividade individual e altamente competitiva.

O Grupo demanda trabalho e tempo, que é muito restrito para mim, além dos parcos recursos que disponho. Sempre tive em mente a inserção e crescimento das mulheres no Poker, com o cuidado de não virarmos uma “distribuidora de brindes”. Queríamos algo que agregasse e criasse oportunidades. Com isso em mente, batemos de “porta em porta”, onde encontramos o “sim”, o “não” e as vezes nem a resposta. É bem triste esta última, pois tentamos fazer algo diferente, visando o crescimento do esporte em um público mais que promissor. Uma resposta é mais que gentileza, é consideração, humildade e respeito.

Sou muito grata a minha amiga Mercedes Henriques que mais que contribui, sem ela este não seria possível, ao Betmotion, nas pessoas do Leonardo Baptista e Fabrício Murakami que acreditam em nosso projeto e o tornaram possível. Khatlen Guse e Marco Naccarato são dois presentes que o Poker me trouxe, obrigada amigos! Tio Max, agradeço pelo espaço que nos cedeu e por proporcionar a mim, uma jogadora amadora, disputar eventos que minha bankroll não permite. A vocês amigos e parceiros do Poker que nos ajudam na divulgação do Queens of Poker, muito obrigada.

Dito isto, gostaria muito que Daniel Colman tomasse uma atitude afim de mudar o que acredita estar errado no Poker. Se eu posso fazer algo, ele com mais recursos e sob todos os holofotes do Poker, pode fazer muito mais. Acredito que atitudes falam mais que palavras e não gostaria que uma discussão tão pertinente quanto a levantada por ele findasse com uma imagem, a imagem de um homem sobre uma montanha de dinheiro com a mensagem “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”.

Deixando o “lado sombrio”, Bruno Foster: que belo presente nos deu. Empunhando nossa bandeira com orgulho de ser brasileiro, dividindo conosco esta grande conquista, o primeiro brasileiro na FT do Main Event da WSOP. Deste show de poker e patriotismo, obrigada! Obrigada principalmente por mostrar o “lado bom” do Poker.

Lízia Trevisan

Twitter @liziatrevisan

Egopoker

Não é difícil associar a egolatria e a mitologia ao poker. A lenda mais famosa sobre o ego é o mito de Narciso, que se apaixonou pela própria imagem e morreu por isso. Narciso não simboliza apenas a vaidade, mas também a insensibilidade. A própria raiz das palavras Narciso, narcisismo e narcótico é derivada da palavra grega narke, que significa entorpecido. É como estar alheio a realidade, preso unicamente ao que você representa, à sua imagem, a idolatrar si mesmo sem perceber o mundo à sua volta.

É dessa forma que Narciso morre, após ser induzido pela deusa Nêmesis a permanecer a beira de um lago contemplando a própria imagem. Narciso foi derrotado por si mesmo.

Na psicologia, o ego é umas das partes da estrutura da mente que reúne nosso senso de identidade, realidade e personalidade, ou seja, é nossa ligação com o mundo exterior, é a via de sentido que relaciona nossa presença ao ambiente. Sob o viés psicológico, o ego em si não representa uma ameaça, mas algo que vai construir a confiança.

Já no senso comum, quando tratamos do ego, estamos falando de vaidade, da vontade de provar ser melhor que os adversários a qualquer custo. Talvez, sob esse aspecto, o ego é aquele que justifica as jogadas mais estranhas, aquelas onde fichas são armas de uma batalha vencida, onde a lógica passou longe, seja numa mesa entre amigos, seja na final da WSOP. Por ele, entramos em combates desnecessários, blefamos potes sem motivo, tentando reafirmar coragem, uma coragem impensada e impulsiva que nos tira do próprio centro, por nada. A tentativa boba de parecer mais durão, afirmar a masculinidade, um jeito irracional de demonstrar superioridade, nem que seja na força, na porrada. A velha história do torcedor que vai ao estádio assistir ao seu time preferido enquanto enche de sopapos o torcedor rival faz sentido, é a válvula de escape de egos inflamados por um orgulho irracional, em busca de violência gratuita.

Violência esta, repudiada pelas mulheres, que procuram diversas coisas nos jogos, mas dificilmente esse tipo de afirmação. Talvez a presença delas no poker possa ser uma saída para tal necessidade de afirmação, e embora mulheres sejam conhecidas por serem muito competitivas entre si, ao menos não carregam essa indesejável qualidade, mas isso já é outro assunto.

Para qualquer jogador, ego é bom quando se torna autoconfiança, do contrário, quando vira arrogância e alimenta a vaidade, traz mais resultados desfavoráveis do que benefícios. O notável é que no poker essa vaidade é fatal. A cada oponente subestimado, a cada momento que você julga o adversário e o coloca numa condição inferior à sua, você não está atento o suficiente para o mundo ao seu redor, seus alertas ficam desligados, você considera os outros previsíveis e consequentemente a chance de ser surpreendido aumenta, afinal, na outra ponta há um cara pensante, que está louco para pegar as suas fichas.

Se o peixe morre pela boca, o jogador só perde pra si quando perde para sua vaidade, quando fica mais atento ao próprio reflexo em vez de olhar a sua volta.

imagem: Shutterstock

Entrevista com Khatlen Guse, Barbarella Poker

Entrevista mais que especial com a Khaty, criadora do Barbarella Poker juntamente com a Karem, sua irmã. Aqui preciso abrir um parênteses. Nos conhecemos através de um fórum de poker em 2009. A revelia de toda dificuldade, na época muito maior, elas arregaçaram as mangas, criaram o Barbarella e lançaram-se nessa jornada de promover o poker e galgar oportunidades para jogadores amadores. Acompanho o trabalho das gurias desde o início e fui beneficiada como jogadora pelas inúmeras oportunidades geradas através dos eventos que promovem. Tudo isso sempre pautadas na coragem, idoneidade e carisma, características inerentes a essas pessoas. Agradeço não só pela gentileza de nos conceder esta entrevista, mas por tudo que fizeram e fazem por nós, jogadores, e pelo poker.  Muito obrigada em nome de toda a Equipe Queens of Poker!

Como a Khaty diria… weeeeeeeeeeeee!😀

 

Khatlen Guse
Khatlen Guse

 

Queens of Poker: Gostaríamos de saber sobre você e como foi o primeiro contato com o poker.

Khaty: Olá amigas do Queens of Poker! Muito obrigada pelo convite! Meu primeiro contato foi assistindo uma transmissão da WSOP em 2009 no FX, fiquei maravilhada com tudo! Depois disso comecei a pesquisar na internet sobre o jogo em si, fóruns de poker no Brasil para aprender as regras e saber onde eu poderia praticar, e saber que era possível jogar online fez com que eu ingressasse imediatamente neste universo. Joguei muito play money e freerolls até aprender a jogar o jogo rsrs. Jogo freerolls até hoje, acho muito legal, o poker tem disso, não importa a que se joga, o jogo é o mais importante.

 

Barbarella Transparente

 

Queens of Poker: O que a motivou a participar mais ativamente do universo do Poker, com a criação do Barbarella Poker e a Coluna Mulheres no Feltro, na Card Player?

Khaty: Eu sempre fui comunicativa, gosto de interagir com as pessoas. O Barbarella Poker e a Coluna Mulheres no Feltro surgiu da necessidade que tínhamos de ter um espaço feito por mulheres e onde as mulheres se sentissem valorizadas e prestigiadas, por isso meu carinho mais que especial quando as mulheres se unem para este fim, como o Queens of Poker.

A Barbarella foi o legítimo faça do limão uma limonada, fui ofendida num portal de poker, este portal nem existe mais, mas eu jamais esquecerei, e as ofensas principais foram em função de eu ser mulher e que eu não devera estar ali; pronto rsrs, foi o que bastou para eu então criar um ambiente feito por mulheres e para mulheres principalmente. Ali todos podem entrar, nós aceitamos ambos os sexos. Mas os meninos tem consciência de que sempre terão que respeitar as meninas, de que elas sempre terão eventos voltados especificamente para elas, visando à inclusão. Qualquer minoria deve ter um incentivo a mais, espero que um dia não seja mais necessário, mas na atual conjuntura, precisamos sim apoiar as mulheres de forma diferenciada. Outro ponto que exigimos é muito respeito, sou muito chata com isso, prezo demais o ambiente familiar, e assim conseguimos atrair também o publico de mais idade que às vezes se sente excluído, sempre quando uma senhora de mais idade entra no portal eu faço questão de dar uma atenção especial, pois sei que tudo é mais difícil para elas, pois o ambiente online acaba privilegiando o público mais jovem.

Sobre a Coluna Mulheres no Feltro, foi uma consequência do Barbarella, o convite de integrar o time de colunistas da Card Player, e ainda focar no universo feminino, para mim foi um presente, me sinto muito feliz pela coluna. Ali nós mostramos as personalidades femininas que já estão presentes em nosso cenário nacional, assim como as novas jogadoras que estão se destacando. Destacamos também as pessoas e grupos que ajudam e batalham pela inclusão das mulheres no poker, devemos sempre divulgar e apoiar, viralizando esta informação, além de algumas matérias ligadas a consumo, tudo que gire em torno do universo feminino. Mas tentamos adotar sempre uma linguagem que atraia os meninos também, nosso interesse é atingir todos os leitores para que haja uma inclusão definitiva das mulheres no esporte.

bannerMulheresNoFeltro

 

Queens of Poker: Tens muito contato com personalidades do esporte? Pode destacar alguém pela pessoa ou histórico no poker?

Khaty: Sim tenho muito contato com as personalidades do poker, minha função é buscar a notícia, a pauta, para transmitir a todos por meio das colunas, tem a Mulheres no Feltro no site da Card e a Card Drops na revista impressa que trata de assuntos diversos ligados ao poker. É muito legal falar com as estrelas, pois eu tenho meu lado fã rsrs. Todas que eu conversei até hoje, sem exceção, são extremamente gentis e solícitas, às vezes é difícil conseguir o contato, pois muitos viajam sem parar ou estão grindando, jogador de poker trabalha demais e com o tempo eu consegui me adaptar qual hora e ocasião são melhores para o contato. Tem que ter perseverança, para eles é difícil também, por isso valorizo cada segundo que param para conversar e dar entrevistas. Já conversei com o André Akkari, Alexandre Gomes, Raul Oliveira, Alessandra Braga, Larissa Metran entre outros, mas com relação a histórico no poker, a linha de todas estas pessoas exemplares é que nada foi fácil, que abriram mão de muitas coisas e que tiveram decisões muito difíceis a tomar, para chegarem ao patamar que estão hoje. Cada vez que falo com uma das estrelas do poker eu fico mais fã ainda, é uma experiência muito legal.

Khatlen Guse
Khatlen Guse

 

Queens of Poker: Como jogadora, quais as tuas aspirações? Quais eventos pretende jogar este ano?

Khaty: Me considero uma atleta entusiasta, sou apaixonada pelo poker e pelo universo feminino dentro dele, adoro jogar mas sou recreacionista, quando posso faço cursos de aperfeiçoamento e leio livros. Como meu trabalho principal é fora do ambiente do poker, sou economista atuante, eu jogo quando sobra um tempo. Jogo mais online e muito pouco live. Pretendo jogar mais ao vivo esse ano, como a Copa do Mundo de Poker em Porto Alegre, os torneios estaduais daqui e quem sabe o BSOP mais para o final do ano, os torneios ao vivo são os melhores locais para interagirmos com o grupo, além de mais emocionantes. Minha principal aspiração este ano como jogadora é ter mais tempo para os torneios ao vivo.

 

Khatlen Guse, foto by Karem Gusi
Khatlen Guse, foto by Karem Gusi

 

Queens of Poker: Poderia falar sobre o Barbarella Poker e projetos para este ano?

Khaty: O Barbarella está sofrendo agora algumas mudanças importantes, estamos atualizando o portal e sua base, temos quase 2.000 membros no site além das páginas no Facebook e Twitter, nosso foco principal é melhorar a comunicação com os membros, deixando um ambiente de fácil acesso inclusive uma maior integração com as redes sociais, este ano estamos abrindo várias áreas do portal ao publico que ainda não é membro, mas mantendo a privacidade de todos que estão lá, como os perfis de cada um. A grade de torneios que estamos estudando para este ano seguirá a mesma linha dos anos anteriores, torneios exclusivos para elas, torneios de apoio para elas no ao vivo, e também nossos torneios unissex que ajudam na integração do grupo todo.

 

Queens of Poker: Já sofreu preconceito de outro jogador por ser mulher?

Khaty: No online sim, já vi pessoas desrespeitosas, mas isso tem diminuído, tenho o hábito de chamar os moderadores, é um recurso disponível nas salas de poker e eu uso mesmo, dou print e denuncio. Mas ao vivo não, sempre fui tratada com muito carinho e respeito por todos, sei que muitas mulheres sofrem e devemos estar sempre atentas, não só nós as mulheres, mas é dever de todos sair em defesa das pessoas que sofrem qualquer tipo de preconceito. Eu tenho um perfil gentil e bem humorado, mas num caso desses com certeza eu sairia em defesa de forma incisiva, para certas coisas eu sou muito brava.

 

Queens of Poker: O que o poker agregou na tua vida?

Khaty: O poker é um esporte que pode mudar tua concepção sobre varias coisas e te testa a cada momento, você precisa ser agressiva em certas ocasiões, ser paciente em outras, ter sangue frio em muitas outras, e tudo isso é um grande aprendizado. Na parte social é um esporte que agrega muito as pessoas, no poker você ganha amigos para a vida toda.

Entrega de Prêmios Evento Ladies PAPT
Entrega de Prêmios Evento Ladies PAPT

 

Queens of Poker: O que falta para aumentarmos a participação feminina no Poker?

Khaty: Estamos num caminho sem volta, os sites, grupos, cursos e times femininos vieram para ficar, ainda há muito a ser feito e não podemos desistir, o numero de mulheres ainda é tão pequeno que temos espaço para muito mais portais, grupos, colunas, times e torneios exclusivos para elas, não vejo no médio prazo o esgotamento desta demanda. Mais, mais e mais, este deverá ser nosso lema nos próximos anos. A receptividade é grande e o mercado mais ainda, o bom é sabermos que o mercado já sabe disso, precisamos seguir em frente.

 

Queens of Poker: Poderia dar alguns conselhos para as jogadoras que estão iniciando?

Khaty: Acho que elas precisam aumentar a confiança e brigar pelo seu espaço, digo por experiência nossa, inclusive de vocês amigas do Queens of Poker, a época que começamos era bem pior, ainda há muito que melhorar, mas as jogadoras precisam saber que tem muita gente de ambos os sexos que batalham para que todas as jogadoras sejam prestigiadas. Acreditem que o espaço é de vocês, não deixem de participar se alguma dificuldade acontecer, a recompensa pela perseverança é fantástica, o poker é um esporte mental, onde todos, sem exceção, podem participar e se divertir.

 

Canais do Barbarella Poker:

Site http://www.barbarellapoker.com/

Facebook https://www.facebook.com/BarbarellaPoker?fref=ts

Twitter @BarbarellaPoker https://twitter.com/BarbarellaPoker

Coluna Mulheres no Feltro na Card Player  Player http://www.cardplayerbrasil.com/site/especiais_ver.asp?cod=7

Entrevista exclusiva com Igianne Bertoldi, Campeã do BSOP Foz do Iguaçu

A Etapa de Foz do Iguaçu do BSOP teve como protagonista Igianne Bertoldi, até então desconhecida do grande público. Todos pararam para ver essa menina de apenas 24 anos escrever em letras maiúsculas sua própria história no poker. E que história! Segunda mulher a cravar uma Etapa do Main Event do BSOP, sendo a primeira disputada em sua carreira. Com humildade e determinação, superou um field de 569 entradas, cresceu na FT e com um emblemático par de damas, consolidou sua vitória. Conquista duplamente grandiosa por superar tantos jogadores, muitos profissionais, e ainda representando menos de 5% do field, correspondente ao percentual de participantes do sexo feminino no evento.

Igianne

Agradecemos a generosidade em nos conceder esta entrevista e estamos na torcida para que muitos outros resultados façam parte de tua carreira!

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Queens of Poker: Gostaríamos de saber mais sobre você, natural de que cidade, aonde mora, como foi o primeiro contato com o poker e a quanto tempo atua como dealer.

Igianne: Olá meninas, primeiramente obrigada pelo convite. Sou natural de Balneário Camboriú, morei aqui praticamente a vida inteira e amo demais esse lugar. Comecei a jogar poker aqui, entre amigos, acredito eu que como a grande maioria, né?! Jogávamos uma vez por semana num torneio que eu mesma organizava em minha casa ou na casa de algum outro amigo/jogador. Era apenas uma brincadeira, jogávamos em uma ou duas mesas com buy-in de R$5,00 e rebuys ilimitados. Atuo como dealer a aproximadamente um ano e meio. Comecei em uma casa de poker aqui em BC mesmo, por convite de um amigo. Depois começaram a aparecer os eventos e até então trabalhava no 4Aces Poker Club.

Queens of Poker: Ser dealer agregou que aprendizado a prática do esporte? Acredita ter apurado a leitura dos oponentes decorrente da profissão?

Igianne: Ter me tornado dealer despertou ainda mais a minha paixão por esse esporte. Além de presenciar e discutir muitas mãos todos os dias, sempre observei muito e tentava adivinhar a mão dos jogadores antes do showdown.

Queens of Poker: Tens uma rotina de estudo? Já contratou algum coach?

Igianne: Olha, ser dealer não é moleza não, nosso tempo é curto! Mas li alguns livros antes da profissão e depois que comecei a dar cartas li muitos artigos e assisti bastante vídeo aulas. Agora sim, depois dessa alegria de ter ganhado uma etapa do BSOP, minha prioridade é me aperfeiçoar e estudar, já estou me organizando para os coachs.

Queens of Poker: Ser mulher ajuda, atrapalha ou é indiferente no poker? Já sofreu preconceito por ser mulher, seja como dealer ou jogadora?

Igianne: Nunca sofri nenhum tipo de preconceito pelo fato de ser mulher enquanto trabalhei ou joguei. Mas acredito sinceramente que nossa postura e a maneira que nós mesmas nos fazemos presentes numa mesa de poker é o que faz toda a diferença. Claro que já fui a presa pra muitos jogadores profissionais durante um torneio, afinal a mulher tem a imagem mais tight do que o homem na maioria das vezes, ou pelo menos até você mostrar pra eles que não vai ficar passando tribets lights toda hora não…rs Que você também joga e pensa poker.

Queens of Poker: Como surgiu a oportunidade de jogar o BSOP Foz do Iguaçu? Foi através de recursos próprios, satélite ou investidores?

Igianne: Eu estava trabalhando num evento em Balneário Camboriú, o Catarina Poker Fest, quando primeiramente um amigo jogador me perguntou se eu iria. Disse à ele que não, pois as despesas eram muito altas, e então ele me deu a feliz notícia que se eu quisesse ir meu buy-in estava garantido, topei na hora. Logo depois outro amigo jogador perguntou se eu não iria trabalhar na etapa do BSOP em Foz do Iguaçu e eu respondi que estava pensando em jogar, foi então que surgiu mais um anjo me oferecendo também os buy-ins e passagem. Não tinha como não ir e perder essa oportunidade de jogar um torneio desse porte e importância.

Queens of Poker: Além do grandioso feito de quebrar o jejum de mulheres campeãs do Main Event do BSOP, contaste em entrevista que esta era a tua terceira participação num torneio de grande proporção e a primeira vez num BSOP. É comum os jogadores traçarem uma estratégia para eventos desse porte mas acreditamos que o resultado superou todas as tuas expectativas face a pouca experiência nestes eventos. Poderia nos contar um pouco como foi a tua trajetória no torneio até o ITM? Passaste para o dia dois acima, abaixo ou na média de stack? Adotou diferentes estratégias para cada etapa do torneio?

Igianne: Foi um orgulho, enorme prazer e felicidade quebrar esse jejum. Realmente foi minha primeira participação num BSOP. O resultado não só superaram as minhas expectativas, como do Brasil inteiro. A vontade era grande e a torcida maior ainda. Joguei o dia 1 e não foi bom, meu desempenho deixou a desejar e não passei pro dia 2. A segunda tentativa no dia 1B, o jogo encaixou e entrei no ritmo, passei a cima da media com 121K. A partir de então meu próximo objetivo era chegar ITM. Cheguei bem em fichas na primeira zona de premiação e o jogo foi melhorando. Quando me dei conta já estávamos em 40 players e eu feliz demais pelo resultado. Me colocaram na mesa da TV, eu estava short me recordo bem dos 80K em fichas. Blinds 3.000/6.000. O jogo foi fluindo consegui dobrar meu stack num glorioso AA. Passamos em 15 para o dia final e eu estava numa pilha só, agora o objetivo era FT. Eliminei Spock num QQxAK e formamos a FT. Foram muitas mãos, muitos potes, mas segui a mesma linha e a mesma estratégia durante toda a mesa final. Fui agressiva e minha concentração nunca foi tão boa, estava focada e determinada a levar o troféu pra casa.

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Queens of Poker: Mensurava tamanha torcida pelo sucesso de uma mulher ou foi surpreendida pela mobilização nas redes sociais? Em algum momento sentiu a pressão pela expectativa de um grande resultado de uma mulher?

Igianne: Tinha noção que na minha cidade, meus amigos e minha família torceriam muito por mim. Mas sinceramente não esperava os mais de 600 novos amigos no Facebook do dia para a noite (rsrs). Foram muitas solicitações de amizade, muitas mensagens, muitos parabéns. A galera acompanhou e vibrou muito com a minha vitória isso me deixou ainda mais feliz. A pressão que eu senti vinha de mim mesma, era uma oportunidade que eu não podia deixar passar e quanto mais chegava perto, mais eu me obrigava a continuar. Eu desejei demais essa vitória.

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Queens of Poker: FT formada e o sonho do 1º lugar mais próximo, em que momento tiveste consciência de que não era só possível, mas muito palpável a conquista?

Igianne: Quando estávamos em three-handed  foi o momento que me senti mais confiante.

Queens of Poker: Como está sendo o “pós conquista”? O que mudou?

Igianne: A ficha vai caindo aos poucos, é uma emoção muito grande. Estou ainda reestruturando minha vida, respondendo a todos que torceram por mim e planejando o que vai ser daqui pra frente.

Queens of Poker: Sempre almejou ser uma jogadora profissional? Quais são seus planos? Pretende fazer todo o circuito BSOP neste ano?

Igianne: Sempre quis ser uma jogadora profissional e esse sonho está cada vez mais perto agora, depois dessa conquista. Quero estudar muito e me dedicar agora. E pretendo sim fazer todo o circuito BSOP este ano. Entre outros torneio que já tenho em mente.

Queria agradecer mais uma vez a torcida de todos e em especial das mulheres. Só nós sabemos a dificuldade que é chegar numa FT e cravar um torneio dessa proporção. Espero vê-las muito mais nas mesas agora. Vamos nos fazer presentes nesse esporte da mente tão incrível e que vem crescendo no Brasil e no Mundo. Nossa presença é indispensável meninas. Nunca desistam dos seus sonhos, pois do dia pra noite ele pode se tornar realidade, basta acreditar e se dedicar.

Cristian_Andrei_BSOP_Foz2014_04

As fotos que ilustraram esta entrevista foram cortesia do Cristian Andrei, fotógrafo do Site Caras do Poker. Confiram este e outros trabalhos no site http://carasdopoker.com/

Curtam a página no Facebook https://www.facebook.com/carasdopoker?fref=ts

 

 

 

Entrevista para a Revista Betmotion

A Gabriela Salles, jornalista da Revista Betmotion, fez uma entrevista super bacana conosco!

Perguntas pertinentes, que nos deram a oportunidade de falar mais sobre a ideia e o projeto.

Agradecemos muito por nos ajudar a divulgá-lo!

Confiram!

http://revistabetmotion.com.br/destaques/queens-poker-nova-sensacao-esporte/

Participem do Freeroll exclusivo da Revista Betmotion!

Freeroll Revista Betmotion

 

 

Ranking BetMotion Ladies by Queens of Poker

Olá lindonas!

É com grande satisfação que anunciamos nosso novo Ranking em parceria com o BetMotion!

logo-betmotion

Serão oito meses de muito poker, com torneios freerolls com 50 dólares garantidos e super prêmios paras as melhores colocadas de cada mês.

A grande vencedora do ano jogará o MAIN EVENT do BSOP MILLIONS, com buyn e estadia patrocinados pelo BetMotion!

Em nosso grupo no Facebook ocorrerá as inscrições, pois somente convidadas participarão.

Corra e garanta a participação, o primeiro torneio ocorrerá na quarta feira, dia 02/04/2014.

Confira o regulamento e fique por dentro de todos detalhes!

https://queensofpoker.net/ranking/

Nos vemos nas mesas!

 

 

Entrevista com Marco Naccarato

Marco Naccarato é autor do livro Floating in Vegas e idealizador do site Metapoker.

nacca_wsopNaccarato disputando evento da WSOP, em 2011

Queens of Poker: Fale sobre você e como o poker está inserido no teu quotidiano.

Naccarato: Sou designer gráfico há 20 anos e empresário faz doze anos. Jogos de cartas sempre foram presentes desde a infância, mas tive contato com o poker apenas em 2003, participando das primeiras mesas de 5-card draw com amigos.

O poker se tornou parte do meu quotidiano quando comecei a jogar hold’em em 2008 e organizar um torneio que se tornou uma série disputada até hoje, o AdT Poker. Como o jogo me fisgou, fiquei motivado a praticar, e depois de ir ao cassino Conrad no Uruguai em 2009, decidi fazer uma viagem para Las Vegas, que se transformou em mais algumas viagens, no livro Floating in Vegas, e em todos esses textos que venho publicando desde 2012, que culminaram no site Metapoker.

Hoje o poker ocupa parte considerável do meu dia-a-dia.

nacca_winOpenEtapa do Paulistano Open Poker, em 2012, torneio que teve promoção do livro Floating in Vegas, e que foi vencida pelo autor

Queens of Poker: Por que jogar poker? Qual a tua predileção, online ou live? Por quê?

Naccarato: Jogo poker porque é fascinante, porque é um jogo completo. Gosto mais de poker live, é também onde tive meus melhores resultados. Aliás, sempre achei curioso o termo “live”, pois o poker é jogado originalmente ao vivo, mas a quantidade de jogadores que tomaram contato com o jogo na última década foi tão massiva e significativa, que o termo se inverteu, gerando essa denominação de poker live.

No live, a percepção e a psicologia têm um papel mais determinante na forma de jogar, o que tem muito a ver com meu jeito de jogar, por isso me sinto mais competitivo e confortável, logo prefiro jogar ao vivo.

nacca_winPLOCaesarsCampeão em 2013 do evento #38 – Pot Limit Omaha, da série do Caesars Palace em Las Vegas

Queens of Poker: Acredita que qualquer pessoa possa ser lucrativa no poker? Por quê? Quais características são comuns a bons jogadores?

Naccarato: Seguramente, desde que ela goste e se dedique. Lucratividade no geral está ligada a metodologia, se você estudar, praticar bastante e tiver uma boa orientação, os resultados aparecem. Não dá pra atingir nenhum estado de aprimoramento sem disciplina, dedicação e perseverança. Tem que ralar mesmo.

Alguns jogadores, depois de aprenderem o básico, ficam com uma impressão que dominam o jogo, e param de perceber a dinâmica e as nuances do poker, e assim se tornam reféns do baralho, por isso, bons jogadores normalmente estão um passo a frente dos demais, eles enxergam coisas que estão veladas para a maioria.

Outra característica fundamental do bom jogador é o autocontrole.

Queens of Poker: No livro, tu narra as experiências vividas nas Poker Rooms em Vegas. O que o motivou a escrever sobre elas?

Naccarato: Nunca tive a pretensão de ir pra Vegas e nem de escrever algo sobre, mas a oportunidade apareceu por conta de uma viagem a negócios, e quando retornei, muita gente me perguntava como era lá, qual o nível dos jogadores, qual a sensação de jogar num cassino, entre outras coisas. Há tempos eu vinha ensaiando para escrever um livro, e a viagem me deu o tema.

Esse foi o estímulo inicial, e como consegui tirar uma grana logo nos primeiros dias da viagem, comecei a anotar os resultados, algumas mãos e minhas impressões sobre o local, e assim tive material pra começar o relato.

Posteriormente, percebi que o livro poderia ser um pequeno guia pra quem tem vontade de ir pra lá, e, além disso, uma maneira de contribuir para o poker e de mostrar uma ideia diferente.

O livro apresenta o poker pra quem não tem contato com o jogo, mas é curioso sobre esse universo, e mostra para a grande maioria dos praticantes que é possível ir para Las Vegas e vencer, por isso coloquei todos os resultados de cada um dos 52 torneios, passando por vitórias e derrotas, mas mostrando as sensações envolvidas, do prazer da vitória às decepções do grind.  Acho que por isso o livro ficou próximo da realidade tanto de amadores quanto de veteranos, e assim foi bem recebido.

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Queens of Poker: Podemos observar que no poker live, assim como online, há muitos jogadores recreativos, onde o jogo é diversão e o resultando é secundário. Inclusive é possível consumir bebidas alcóolicas durante os torneios. Em teu livro, tu relata que as consumia durante o grind em Las Vegas. Qual a tua opinião sobre isso?

Naccarato: Os jogadores recreativos e amadores são a maioria dos praticantes, e há poucos relatos ou notícias sobre esse universo. Em clubes menores e home games, o consumo de bebidas é comum, faz parte do “pacote” todo de ir jogar, se sociabilizar e tal. É como ir ao cinema e comprar pipoca, o objetivo é curtir o momento.

Este é um ponto no livro que muita gente torceu o nariz, quando ofereci o livro em algumas editoras, não quiseram comercializar o relato por conta disso, afinal é difícil nos dias de hoje quererem atrelar o consumo de bebidas ao poker, pois a briga é validá-lo como esporte mental, quero dizer, como o poker é um esporte se você fica enchendo a cara? Todo o mercado de poker quer desmistificar a atividade, tirar os estereótipos e validar sua prática, então se evita de certa forma falar sobre isso, mas é algo normal no poker recreativo.

Em nível profissional não há espaço para isso, não dá pra beber durante um torneio inteiro e achar que você vai tomar ótimas decisões depois de seis ou sete horas jogando direto.

No livro, estou jogando em Vegas, torneios relativamente baratos, e no período das minhas férias, por isso não faria diferente, estava me divertindo. Mesmo assim, quando encarei torneios maiores ou quando estava levando com mais seriedade o grind, eu evitava beber.

Queens of Poker: Da tua experiência em Vegas, identificaste diferenças nos torneios, estrutura e jogadores?

Naccarato: Há diferenças. Basicamente nas poker rooms dos cassinos a predominância é de amadores, e o nível técnico dos fields dos torneios aumenta quase que na proporção do buy-in, ou seja, nos torneios baratos os jogadores estão lá por lazer, jogam por diversão, afinal é uma cidade em “férias”. Nos buy-ins acima de cem dólares você já encontra adversários mais preparados, e nos grandes torneios e cassinos mais caros o nível é outro.

No geral, a estrutura nos torneios baratos é turbo, blinds de 15 ou 20 minutos e poucas fichas. Já cheguei a jogar torneio de 60 dólares com 1,5k fichas e blinds de 15 minutos, é preciso se adaptar.

Falando mais especificamente dos jogadores, o que se nota é uma maior presença feminina nos cassinos, e o poker é muito presente na sociedade norte-americana, eles jogam desde muito cedo em casa, conhecem as regras e tal, têm uma noção etc. Guardadas as proporções, é como o futebol para os brasileiros, no sentido que representa um bem social.

Queens of Poker: Em comparação às Poker Rooms dos cassinos de Vegas, como estão os clubes de poker brasileiros? E os nossos dealers?

Naccarato: Não frequento muito, mas já estive em alguns clubes de poker aqui em São Paulo, no Vegas, no H2 Club (na sede antiga) e em vários clubes menores como o Alphaville Poker Club, Moema 44 do André Pagnillo, e também o No Limit na vila Madalena, e no geral as casas não perdem muito para as poker rooms de Vegas, aliás, havia salas de poker nos cassinos piores em ambiente e organização se comparadas a alguns desses clubes daqui, mas, de dois anos pra cá os cassinos mais antigos deram lugar a cassinos maiores e bem estruturados, com poker rooms remodeladas.

Claro que é diferente você jogar na poker room do Wynn ou do Bellagio, ou mesmo entrar na sala de poker do Caesars, pois a estrutura é outra, embaralhadores automáticos nas mesas, serviço e tal, mas a cidade é feita em torno do jogo, não podia ser diferente.

O nível dos dealers é parecido, mas tenho a impressão que eles são mais respeitados por lá. Claro que tanto lá quanto cá, se o dealer fizer merda, os jogadores caem matando, mas em Vegas dificilmente vi jogador reclamar de bad beat para o dealer.  Vegas tem algumas coisas curiosas, por exemplo, em cassinos menores há predominância de dealers orientais, às vezes nem falam inglês direito, e no geral, seja numa sala de quatro mesas ou na poker room do Aria, os dealers são mais velhos. Inclusive disputei um torneio da Série de Verão do Caesars onde conheci uma dealer que deu cartas na primeira edição da WSOP, é uma senhora alta e de longos cabelos brancos, rápida no gatilho, deixa muito marmanjo no chinelo.

Queens of Poker: O Brasil é o mercado que apresenta o maior crescimento em número de jogadores. Vemos a crescente abertura de clubes, criação de Teams, oferta de coaching, sites de conteúdo, etc. Qual o papel do teu site, o Metapoker, neste processo?

Naccarato: Li recentemente uma matéria que falava sobre a expansão do poker no bloco dos BRICS, e certamente Brasil e Rússia têm os maiores e mais emergentes mercados. Isso é ótimo em qualquer aspecto, ajuda a desmistificar o poker, atrai mais praticantes, enfim, ajuda a desenvolver a indústria como um todo.

Certamente o conteúdo gerado nesse mercado também tende a se diversificar, pois tem mais gente se envolvendo com o mundo do poker, e consequentemente mais gente falando sobre. É nesse espaço que entra o Metapoker. De início criei o site para juntar todo o conteúdo que vinha publicando no Aprendendo Poker e no Pokerdicas, mas com o tempo consegui escrever mais artigos pro Metapoker, e o site acabou tomando esse formato, trazendo essencialmente artigos e crônicas. Ele não é um site de notícias, não coloco notícia de cravadas por exemplo, acho que já tem muito site fazendo bem isso, mas quando pinta uma notícia por lá, é porque tem algo de diferente, uma novidade incomum e tal. Fomos o primeiro site de poker a anunciar o torneio do Juventus, também anunciamos o lançamento de um livro de cash games ilegais na Itália, mas o forte do site é sua abordagem mais reflexiva sobre o poker, através dos artigos e crônicas.

Tem muito leitor que me encontra, comenta ou manda email falando, – não entendi porra nenhuma do que você quis dizer naquela crônica… Por outro lado é parte da ideia do site gerar esse questionamento, e gerar com isso novos entendimentos. É assim que entendo que estou tratando o leitor com respeito, e gerando conteúdo que estimule um olhar mais crítico. É que hoje tudo é muito resumido, rápido e raso, há uma tendência por procurar respostas prontas, mas se debruçar em algo, com todo o esforço para entender é o que difere o jogador mediano do bom jogador, se o cara não tem paciência pra interpretar um texto, onde ele vai achar saco pra entender um jogo tão complexo como o poker?

Um jogador pode decorar um range de mãos pra abrir em MP ou pode procurar entender a importância da posição. No primeiro caso, trata-se de um método, no segundo caso, estamos falando de um conceito, o Metapoker trabalha nos conceitos. Não existe um só jeito de olhar o poker, bem como não deve existir apenas uma forma de comunicá-lo, e quanto mais variadas forem essas abordagens, mais teremos assuntos diferentes e pertinentes para discutir, é isso que enriquece o jogo e a visão que temos dele.

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Queens of Poker: Acredita que há um estereótipo sobre as mulheres, jogadoras de poker?

Naccarato: Há estereótipos para mulheres tanto quanto há para homens. O problema é que no caso da mulher, a justificativa sempre recai no fato de ser mulher, isso que é diferente. Pega um jogador ruim cometendo erro, ele só jogou mal, mas se for mulher, é porque é mulher, é desatenta, joga na intuição, é insegura, essas coisas. Tanta mulher por ai provedora de família, empresária, com altos cargos executivos… É no mínimo uma contradição achar que mulher é menos capaz no poker. Foi esse pensamento que me levou a escrever o artigo sobre as mulheres, publicado no Metapoker.

Queens of Poker: Utiliza uma estratégia diferente contra jogadoras? É possível identificar características específicas, comuns as mulheres que jogam poker?

Naccarato: Tento utilizar uma estratégia diferente para lidar com cada adversário em específico, sejam homens ou mulheres. O que ocorre é que é fácil identificar um comportamento ou um padrão nos adversários que não sabem jogar ou estão se desenvolvendo e aprendendo, e você já sabe como contra-atacar certas jogadas, justamente porque você passou por isso. Mas no geral, se usa isso pra tipificar os jogadores, e rotular é o jeito mais fácil de subestimar a capacidade do adversário, e subestimar o outro é fechar seu campo de ação e percepção. O que quero dizer é que quando você identifica que pode explorar seu oponente porque o julga fraco, você acaba desligando os alertas, porque já tem um veredicto sobre como ele joga, e é aí que você é surpreendido.

Por isso procuro deixar esses pré-julgamentos de lado.

Queens of Poker: Quais os pontos fortes e fracos das jogadoras, de acordo com a tua experiência?

Naccarato: Homens e mulheres têm características diferentes, como cada um tem suas características. Um bom jogador vai tentar usar ao máximo suas características boas e melhorar onde sente que está atrás. Se as mulheres são dedicadas, como se pode notar no trabalho e na vida familiar por exemplo, elas devem usar isso à seu favor no poker. Vou usar um clichê, se como dizem, mulheres têm uma intuição apurada, elas devem investigar como essa característica se encaixa na lógica do jogo, se serve para o jogo e como se aproveitar dela, seja lá como cada uma entende o que significa intuição. Acho mais válido essa abordagem do que tipificar.

Esse papo que é natural mulher ser insegura ou desatenta é bem questionável. A única coisa natural no jogo é o jogar, tudo o que se faz na mesa é tentar manter o mais longe possível o que é natural, o que é impulso, é esse controle que bons jogadores buscam.

Queens of Poker: Há previsão de um novo livro? Poderia adiantar algo sobre o projeto?

Naccarato: Já estou trabalhando diretamente no novo livro há oito meses, ele não tem muito a ver com o Floating in Vegas, pois estou tentando trazer uma nova abordagem para o poker através da filosofia, e isso tem me tomado muito tempo e energia, por isso ainda não tenho previsão de término, mas estou correndo.

nacca_winQuadMais um Heads up no small stakes de Vegas

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